Não há cartas em Maputo
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– Não há cartas em Maputo.
– Desculpa?
– Já viste algum carteiro? Não há distribuição de cartas. Precisas de uma caixa postal.
– Caixa postal?
– Sim, caixa postal
– Não posso.
– Palavra.
– Não posso.
– Tou-lhe a dizer
A conversa poderia ter sido assim. Não foi. O mais triste é que nunca vi um carteiro. Mais triste ainda? Nem sequer tenho quem culpar pelas cartas nunca recebidas e certamente enviadas.
certamente…
Ficamos assim, sem ouvir tocar, uma vez que seja, quanto mais duas…
…
1. AS CARTAS CHEGAM A CASA
2. MAS, QUEM É QUE AINDA ESCREVE CARTAS?
JPT, a avaliar pelo toque da minha porta, parece que
ninguém. Mas, até hoje, ainda havia esperança…
Eu tenho a certeza que ainda há quem escreva cartas. E mais: as cartas chegam a Maputo.
isto lembra-me…:
“os milagres acontecem
a horas incertas
e nunca estou em casa
quando o carteiro passa
Hoje abriu a primeira flor
e eu disse é um sinal
olho em volta: estou só
trago esta sombra comigo”
(_ana paula inácio)
aí , nessa terra de sorriso feito gente, haverá milagres, flores e sombras e sinais. Um abraço
com toda a certeza, há quem ainda escreva cartas. quanto a um bloguista que emigra, primeira lamenta não as receber, depois não receber emails e, depois, nem de tal se lembrar. cuidado
Vera, há milagres, sim. Nesta terra há milagres. Regressaste, tu, em noite de nevoeiro?
JPT, parece isso o princípio do fim. Não lamentável por si só, mas, certamente, outra vida. Seja como for, chegou a primeira carta.