Jardim de Sesimbra
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Sesimbra tem um jardim. Sesimbra até pode ter mais do que um jardim, mas, repito, Sesimbra tem um jardim. Quando combinamos junto ao jardim não é preciso explicar qual. Não sei se Sesimbra tem mais do que um jardim, sei que Sesimbra tem um jardim. Encontramo-nos no jardim? Em frente à estátua? Não, na geladaria.
Antes de saber ler e escrever já sabia que o jardim, em Sesimbra, tinha uma estátua. Talvez não tivesse reparado se não me chamassem a atenção de todas as vezes que, de carro, por lá passávamos. Antes de saber ler e escrever não me lembro se já teria passeado pelo jardim. Já sabia o que era uma estátua, certamente que sim. Antes de saber ler e escrever sabia que em 1789 tinha havido uma revolução algures em França. Não sei se sabia o que era uma revolução, nem onde seria essa tal de França, mas já tinha ouvido falar de Danton (francês oblige). Antes de saber ler e escrever sabia o que Danton tinha dito e que estava escrito na estátua do jardim de Sesimbra.
Há umas semanas passei no jardim e fui certificar-me que as palavras, que trago comigo mesmo antes de saber ler e escrever, estão lá.
Estão.
A frase é a mesma que já conhecia antes de saber ler e escrever.
Já não há surpresas.
Depois do pão a eduação é a primeira necessidade dos povos, é como me recordo.
Après le pain, l’éducation est le premier besoin d’un peuple é como surge na Wikipedia.
