Quando passámos pelo outdoor já a viagem tinha começado há muito tempo. O pequeno almoço estava tomado, o inglês já era da África do Sul, mas ainda não sabíamos o tanto que o dia nos reservara. Sem código, mas telegraficamente:
(1) não nos deixaram regressar a Moçambique (“não pode sair com visto de fronteira e voltara entrar no mesmo dia. Tem de esperar 3 a 4 dias. O melhor é ir ao consulado a Nelspruit e pedir um visto. Fecha as 15h30”)
(2) fomos a Nelspruit e entrámos no consulado às 15h (“Vistos? Tá visto que é a primeira vez que cá vem. Os vistos têm de ser pedidos até às 11h. Já nem está cá ninguém para os assinar. Nós estamos a sair. Os chefes? Os chefes, são chefes, podem sair a qualquer hora.”)
(3) corremos até um cibercafé enquanto pedíamos ajuda com os vistos (“já vos ligo daqui a 20m”)
(4) enviámos o documento que tinha de ser enviado até às 16h, às 16h05 (“Muito obrigado, está óptimo. Na segunda eu vejo… hoje é sexta!”)
(5) a ajuda ligou-nos e voltámo-nos a meter ao caminho em direcção à fronteira
(6) a polícia mandou-nos parar (“500 rands and you’ll go pay to the police station on the corner… No, I’ll make 250 because of you… Oh,let’s give them another chance. You can go”)
(7) passámos a fronteira suavemente
(8) noite escura, no meio de nada, a estrada sem luz e o céu como não se vê em Lisboa fez-nos encostar o carro (“Boa noite!”)
(9) no meio do nada há sempre algo mais do que nada e, noite escura, estivemos cinco minutos à conversa com o “Rasta”, artista inspirado pela soruma
(10) Maputo, 22h, casa, banho, noite (“t-shirt escura, ‘tas a ver? cores escuras disfarçam a barriga. Tu fazes dieta, eu descubro estas coisas”)