QUE ISTO SEJA ESQUECIDO
Que isto seja esquecido como uma flor, ou como
fogo de áureo gorjeio que ninguém já relembre…
É bom amigo, o tempo, que nos traz a velhice.
que isto seja esquecido e para todo o sempre.
E se alguém perguntar, dize – foi esquecido
há muito, muito tempo,
como uma flor, um fogo, uma surda pegada
numa neve esquecida há um tempo imenso…
Sara Teasdale (1884 – 1933)
E.U.A.
Trad.: Cecília Meireles
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Se estou
sozinha na neve
é óbvio
que sou um relógio
de outro modo como poderia
a eternidade deslizar
Inger Christensen (n. 1935)
Dinamarca
Trad.: José Alberto Oliveira
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Estudo
Através da janela
mando
a negra razão
falar com a
paisagem.
Ernst Meister (1911-1979)
Alemanha
Trad.: João Barrento
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Ali nada senão
O torvelinho de um feto:
Este mundo flutuante.
Kawabata Bósha (1900-1941)
Japão
Trad.: José Alberto Oliveira
(agora, a dois corpos e a quatro mãos)
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Dentro da minha cabana Zulu
É uma colmeia
sem abelha alguma
que levanta as paredes
com tijolos dourados de mel.
Uma caverna cheia
do ruído da mó,
cabaças de leite azedo
cântaros de barro de cerveja espumosa
colchões de erva para dormir,
almofadas de madeira,
peles de cabra curtidas
presas por tiras de couro
a caibros de verga
enegrecidos pelo fumo
de bosta de vaca amassada
que arde debaixo
da panela de tripé
no chão de terra
para cozer a minha aveia.
Oswald Mtshali (n. 1940)
África do Sul
Trad.: José Alberto Oliveira
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Não será sempre assim… Quando não for;
Quando teus lábios forem de outro; quando
No rosto de outro o teu suspiro brando
Soprar; quando em silêncio, ou no maior
Delírio de palavras desvairando,
Ao teu peito o estreitares com fervor;
Quando, um dia, em frieza e desamor
Tua afeição por mim se for trocando:
Se tal acontecer; fala-me. Irei
Procurá-lo, dizer-lhe num sorriso:
“Goza a ventura de que já gozei:”
Depois, desviando os olhos, de improviso,
Longe, ah tão longe, um pássaro ouvirei
Cantar no meu perdido paraíso.
E.E. Cummings (1894 – 1962)
E.U.A
Trad.: Manuel Bandeira
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Se estou
sozinha na neve
é óbvio
que sou um relógio
de outro modo como poderia
a eternidade deslizar
Inger Christensen
Dinamarca
Trad.: José Alberto Oliveira
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Nada ou seja o que for existe sem mim ou para além de mim.
Os átomos do universo poderão ser contados, mas não tanto as minhas manifestações;
Pois para sempre faço criar inúmeros mundos.
Srimad Bhagavatam
Índia
Trad.: Manuel João Magalhães
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Gozar a Vida
Vivamos, minha Lésbia, e amemos,
e os murmúrios dos velhos mais severos
demos-lhes a todos o valor de um centavo!
Os sóis podem extinguir-se e voltar:
mas nós, uma vez que se extingue a breve luz do dia,
temos de dormir uma só noite, para sempre.
Dá-me mil beijos, depois um cento,
e mais mil, depois outro cento,
depois outros mil, e mais cem.
Em seguida, quando juntarmos muitos milhares,
misturamo-los, para que não saibamos
ou nenhum malvado possa invejar-nos,
quando souber que os beijos foram tantos
Catulo
(c. 87-c. 52 a. C.)
Roma
Trad.: Maria Helena da Rocha Pereira
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A RAPARIGA DAS ROSAS
(V. 81)
Tu, que trazes as rosas, é rosas o encanto que trazes.
O que é que vendes? aA Rapariga da ti? às rosas, ou às rosas e a ti?
Dionísio, o Sofista
Antologia Palatina
(séc. 1 a. C.?)
Grécia
Trad.: Fernando Pessoa
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Até o jade se parte,
até o ouro se dobra,
até a plumagem de quetzal se despedaça…
Não se vive para sempre na terra!
Duramos apenas um instante!
América, Aztecas
Versão: Herberto Helder
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A Rosa do Mundo
Quem sonhou que a beleza passa como um sonho?
Por estes lábios vermelhos, com todo o seu magoado orgulho,
Tão magoados que nem o prodígio os pode alcançar,
Tróia desvaneceu-se em alta chama fúnebre,
E morreram os filhos de Usna.
Nós passamos e passa o trabalho do mundo:
Entre humanas almas que se agitam e quebram
Como as pálidas águas e seu fluxo invernal,
Sob as estrelas que passam, sob a espuma do céu,
Vive este solitário rosto.
Inclinai-vos, arcanjos, em vossa incerta morada:
Antes de vós, ou de qualquer palpitante coração,
Fatigado e gentil alguém esperava junto ao seu trono;
Ele fez do mundo um caminho de erva
Para os seus errantes pés.
W. B. Yeats
(1965-1939)
Irlanda
Trad.: José Agostinho Baptista
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