Até outro dia.
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Não sei quem criou o hábito, mas todas as noites nos reuníamos à volta das mesas do café. Era o início da noite e aquele o nosso bar. Só mais tarde descobri que, antes de bar, era também um restaurante consagrado que abrira em tempos que não o nosso. Na impossibilidade de reinventar a roda reinventávamos experiências como se o mundo ali tivesse início. O nosso big bang com 16 anos.
Naquelas noites, todas as noites em que saíamos, juntavamo-nos com um propósito: celebrar a amizade. Não sei quem criou o hábito, outro, mas todas as noite nos reuníamos à volta das mesas do café para brindar. Calhava-nos a todos. Um por um, erguíamos o copo cheio de sangria, da branca, e deixávamos escorrer um pouco do álcool nas palavras que se queriam perfeitas. De copo no ar, sentados, mas sem apoio que segurasse o braço cansado, ouvíamos solenemente cada um dos discursos de vitória. Naquele palco havia sempre algo a agradecer, havia sempre um prémio a recolher. Como se o nome do café já não valesse de nada, aquela era uma vitória anunciada e concretizada. A esperança não faz sentido ao cruzar a meta. O potencial nunca deu sentido a vida.
Algo se perdeu nos últimos anos. Por isso voltei a brindar aos prémios de todos os dias e despedi-me de todas as ilusões. Até outro dia.
Gostei…. A amizade deve ser celebrada.
É muito bonita.
Até breve, espero,
Bj,
S
Sim, a amizade também!
Até breve