“Tenho horror a de aqui a pouco vos ter já dito o que vos vou dizer. As minhas palavras presentes, mal eu as digo, pertencerão logo ao passado, ficarão fora de mim, não sei onde, rígidas e fatais… Falo, e penso nisto na minha garganta, e as minhas palavras parecem-me gente… Tenho um medo maior do que eu. Sinto na minha mão, não sei como, a chave de uma porta desconhecida. E toda eu sou um amuleto ou um sacrário que estivesse com consciência de si próprio. É por isto que me apavora ir, como por uma floresta escura, através do mistério de falar… E, afinal, quem sabe se eu sou assim e se é isto sem dúvida que sinto?… ” (Pessoa, O Marinheiro)
mais uma voz, a juntar às que aqui trouxeste, do mistério de falar
(gosto muito deste texto, do sair-se pelas palavras por dentro da ínfima vestigem de um atravessar extático. quando a minha cabeça rolar, espero que estas e outras palavras se espalhem, liquefeitas)
“Tenho horror a de aqui a pouco vos ter já dito o que vos vou dizer. As minhas palavras presentes, mal eu as digo, pertencerão logo ao passado, ficarão fora de mim, não sei onde, rígidas e fatais… Falo, e penso nisto na minha garganta, e as minhas palavras parecem-me gente… Tenho um medo maior do que eu. Sinto na minha mão, não sei como, a chave de uma porta desconhecida. E toda eu sou um amuleto ou um sacrário que estivesse com consciência de si próprio. É por isto que me apavora ir, como por uma floresta escura, através do mistério de falar… E, afinal, quem sabe se eu sou assim e se é isto sem dúvida que sinto?… ” (Pessoa, O Marinheiro)
mais uma voz, a juntar às que aqui trouxeste, do mistério de falar
(gosto muito deste texto, do sair-se pelas palavras por dentro da ínfima vestigem de um atravessar extático. quando a minha cabeça rolar, espero que estas e outras palavras se espalhem, liquefeitas)