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Desculpem o mau jeito, mas quando vejo uma ex-namorada feliz, fico feliz. De acordo com as convenções que norteiam o subgénero da prosa de coração aberto em busca desesperada e descomprometida de cirurgião, isto pode provar que sou um idiota, que na verdade nunca a amei ou as duas coisas.
[Morto-vivo, A Memória Inventada]

Nestes anos de blogosfera, se me esforço por não recordar uma curiosa altercação com uma prostituta bloguista, a interacção mais estranha que tenho é com uma pessoa que me escreve periodicamente a propósito de textos que lê no MI e que julga que lhe são dirigidos.

Por vezes escrevo textos a pensar em alguém em concreto e o modo como essa pessoa por identificar está associada ao texto pode ir da tentativa de sedução à sublimação de uma frustração, passando por um discreto agradecimento.

Quanto à pessoa que insiste em ler no MI algo que não existe, só espero que deixe de o fazer e que se trate, mas há alturas em que quase a percebo e quase cedo ao mesmo vício de ler por aí um texto como se me fosse dedicado. A grande literatura pode criar no leitor a ilusão ou o desejo de que o texto foi escrito só para ele. Mas no caso da minha leitora e dos meus deslizes não se trata de literatura, apenas de um grande equívoco.

mas tu esperavas o quê? Ainda acreditas na monotonogamia? Deixa-me dizer-te três coisas sobre as relações eternas: ou a começas antes dos vinte e poucos anos, ou a vais traindo, ou não tens oportunidade de a trair, porque és feio e pobre. Para elas funciona mais ou menos da mesma forma

A Memória Inventada está de regresso.