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  • Solteirice

    Espeta-te com o garfo.
    Corta-te com a faca.
    Deita-te no prato.
    Espera.

    Alexandre O’Neill

  • O Que Há

    O que há em mim é sobretudo cansaço
    — Não disto nem daquilo,
    Nem sequer de tudo ou de nada:
    Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
    Cansaço.

    A sutileza das sensações inúteis,
    As paixões violentas por coisa nenhuma,
    Os amores intensos por o suposto em alguém,
    Essas coisas todas —
    Essas e o que falta nelas eternamente —;
    Tudo isso faz um cansaço,
    Este cansaço,
    Cansaço.

    Há sem dúvida quem ame o infinito,
    Há sem dúvida quem deseje o impossível,
    Há sem dúvida quem não queira nada —
    Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
    Porque eu amo infinitamente o finito,
    Porque eu desejo impossivelmente o possível,
    Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
    Ou até se não puder ser…

    E o resultado?
    Para eles a vida vivida ou sonhada,
    Para eles o sonho sonhado ou vivido,
    Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto…
    Para mim só um grande, um profundo,
    E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
    Um supremíssimo cansaço,
    Íssimno, íssimo, íssimo,
    Cansaço…

    Álvaro de Campos (9-10-1934)

  • A vida segundo Jorge Palma .7

    Põe-me o braço no ombro
    Eu preciso de alguém
    Dou-me com toda a gente
    E não me dou a ninguém
    Frágil
    Sinto-me frágil

    (Bairro do Amor – 1989)

  • A vida segundo Jorge Palma .6

    És a construção do meu poema
    És a vastidão da minha voz
    És a ilusão, és minha pena

    (Dimensão – 1973)

  • A vida segundo Jorge Palma .5

    Enfrenta a verdade, sorri na derrota
    (…)
    Destrói as muralhas que encerram as esperança
    (…)
    Improvisa a despedida
    Que a partida não demora
    Como um homem só na vida
    Frente ao tempo que o devora

    (Poeta – 1973)