Não é saudável
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Chegar de Moçambique e espirrar como se não houvesse amanhã.
Cruzes canhoto.
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Chegar de Moçambique e espirrar como se não houvesse amanhã.
Cruzes canhoto.
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Sabemos que viemos há pouco tempo de Moçambique quando acordamos às seis da manhã, sem despertador, e nos levantamos para vir para o escritório.
Sabemos que estamos em Portugal quando saímos de casa e é noite cerrada.
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Grupo: Slightly Stoopid
Album: Closer to the Sun
Música: Don’t Care
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Bold lover, never, never canst thou kiss, though winning near the goal.
John Keats (1795-1821)
Ode on a Grecian Urn
[Em português, tradução de Augusto de Campos. Eu fico-me por esta: Amante audacioso, nunca a beijarás, embora quase a beijes.]
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Sabemos que estamos em Portugal quando demoramos noventa (nove zero) minutos a chegar ao escritório.
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Se ainda há tesouros, tem de existir a Lara Croft. O importante é não desistir e andar de olhos bem abertos.
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Ilha de Moçambique e a casa do Gabriel.
Pão com manteiga e piri piri.
Conduzir, não bater e, nos últimos dias, não precisar de co-piloto para as indicações.
Ser mandado parar pela polícia. Argumentar.
Ser assaltado. Argumentar.
Andar de chapa durante 2h30.
Saidas à noite (Tara, Deluxe, Eagles, Feira, Gypsies, Luso). Africa é à quinta-feira. Fica para a próxima.
Jantares e almoços. Não fui ao 1908. Fica para a próxima.
A casa do Xou Director.
Ver o Benfica, a ganhar, no eagles.
O pôr do sol no Cardoso. Foi pena termos chegado atrasados.
Negociar no submundo dos batiques
Kruger
Carro avariar na S28 do Kruger
Argumentar reentrada em Moçambique para evitar novo visto. Não resultou.
O regresso a Maputo e o check-in no aeroporto.
A viagem de avião.
Com tudo isto, o que mudou?
É fácil perdermo-nos no barulho e confusão de Maputo. Os vendedores de rua são particularmente insistentes e aparecem de todos os lados. Há sempre pessoas na rua e, no nosso prédio, é normal encontrarmos, à porta, mais pessoas na conversa. É um outro mundo ao qual facilmente nos habituamos. Talvez por isso ninguém tenha estranhado que, ao entrarmos no prédio, viesse atrás de nós um pouco desse barulho e confusão. A Ana Rita estava a entrar no elevador e nós, com um olhar de relance, vimos dois homens de uns vinte e muitos anos, mas pouco ligámos e seguimos para o elevador. No mesmo instante a confusão aumentou um pouco e ficámos de olhos postos nas armas que cada um deles tinha na mão. Deu para perceber que não nos iam convidar para um copo.
Em Maputo a palavra de ordem é argumentar. Argumenta-se com os vendedores de batiques de forma a baixar o preço. Argumenta-se com a polícia para não darmos dinheiro para refresco. Argumenta-se ao longo do dia, várias vezes ao dia e, para tudo isso, só precisamos de tempo e paciência. É um jogo interessante. Depois do susto inicial recuperámos a compostura e tentámos fazer alguma coisa em relação ao que estava a acontecer. Como contra armas não há heróis, optámos pela via diplomática e começámos a argumentar. Não conseguimos ter os telemóveis de volta, mas conseguimos convencer um dos assaltantes que os cartões nos dariam algum jeito e que para eles não serviriam de nada. Então, ali mesmo à porta do prédio, já com um dos assaltantes no carro da fuga, o outro mete a arma no bolso e começa a tirar os vários cartões dos vários telemóveis. Quase deu vontade de o convidar a subir e a beber connosco um Porto. No final só o chip do argumentador mor não foi recuperado. Foi azar.