Subtileza .2
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– Almoçamos amanhã?
– Continuas o mesmo egocêntrico de sempre?
– Almoçamos amanhã?
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– Almoçamos amanhã?
– Continuas o mesmo egocêntrico de sempre?
– Almoçamos amanhã?
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Admito que haja diferença entre eterno e terno
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“Eu devia ter sabido – murmurou – A chuva sou eu”.
Com esta certeza desaparece Joseph Wayne.
Quando acabamos com alguma coisa que nos é grata, por exemplo, a vida, como no caso da personagem de Steinbeck, precisamos de nos agarrar a alguma certeza. Ou precisamos que a certeza nos caia do céu, como a chuva. É merecido, penso. Há desiquilibrios que não devem continuar na morte, nem na de uma relação.
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Ontem descobri que quando a conversa azeda não vale a pena ir à mercearia comprar outro pacote de leite
Ando a ser perseguido por esta frase de Goethe.
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Querido Diário,
Eu me confesso.
A revolução no mundo dos diários surgiu com a blogosfera. Os mesmos diários que anteriormente eram protegidos por chave e cadeado são-no agora por heterónimos, nicks, nomes anónimos dos quais nunca vemos a face. Talvez a tenham perdido, penso. Vive-se observado pelo buraco da fechadura. Deixa-se espreitar quem passa sabendo que nunca dá para perceber tudo, sabendo que dá sempre para perceber alguma coisa, sabendo que nunca se perceberá quem é, quem sou, quem somos. Mas continuam a ser diários. Um espaço confessional onde se fala de tudo, de nós, dos nossos problemas, dos nossos mais inconfessáveis, agora cada vez menos, dramas.
Eu não me confesso.
O diário da blogosfera tem outras vantagens. O diário ganhou vida própria. Se anteriormente escrevíamos para as paredes o diário, agora as paredes o diário ganhou vida e responde-nos. Como é bom poder ter alguém a solidarizar-se com os nossos dramas. Como é bom alguém que chega e diz que nos percebe. Como é bom perceber que os nossos dramas não são únicos e que há confissões que não são só nossas. Ahhhh, bendito diário da era digital. Benditas paredes. Esquecem-se, contudo, as paredes que agora respondem, que os esforços de quem se descreve a si próprio não devem ser mais do que aquilo que Montaigne lhes chamou: «ensaios», tentativas [The Creators]. É muito difícil dizer a verdade, muito mais difícil dizer toda a verdade, ainda mais difícil dizer nada mais senão a verdade. A verdade nunca é nossa, nunca nos pertence.
Eu me confesso, diria alguém. Eu não.
Não consta que Rousseau tivesse começado desta forma as suas confissões, não começou, mas confessou-se acossado pela loucura. Será a única forma de nos confessarmos, em momentos de lucidez quando cercados pela loucura? Falo por mim, poucas são as confissões que poderia fazer e que são só minhas. Se algumas fizer, algum dia, serão só essas. Das outras não me compete e não tenho esse direito. Por enquanto. Há quem diga que os direitos adquirem-se.
Não consta que Rousseau tivesse um blogue, não tinha, mas, por não querer escrever para as paredes, ou por qualquer outra razão que não vem muito ao caso, fazia leituras das mesmas. Questiono-me se nos momentos de lucidez ou nos momentos de loucura. As confissões de Rousseau não tinham leitores, tinham ouvintes. As confissões de Rousseau tinham, acima de tudo, uma cara. As confissões de Rousseau tinham a cara de quem as lia. Era a loucura?
Não sou feito como nenhum dos que tenho visto; ouso crer que não sou feito como nenhum dos que existem. Se não valho mais, sou pelo menos diferente. (Jean-Jacques Rousseau – Confissões)
Eu não me confesso.
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A Primavera de Portugal está a passar-me ao lado… Não percebi se ainda estou a viver no Verão moçambicano.
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Cântico negro, de José Régio, por João Villaret no S. Luiz
“Vem por aqui” — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui!”
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali…
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos…
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: “vem por aqui!”?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí…
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?…
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos…
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios…
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: “vem por aqui”!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou…
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
I knew a man Bojangles and he’ll dance for you
in worn out shoes.
Silver hair, a ragged shirt and baggy pants,
he would do the old soft shoe.
He would jump so high – jump so high, then lightly touch down.
He told me of a time he worked with, With the Minstrel shows,
travelling throughout the south,
Spoke with tears for fifteen years how his, how his dog and him
they would travel about
But his dog up and died. Dog up and died, after twenty years he still grieves
He said, “I dance now at every chance in honky tonks
for my drinks and tips.
But most of the time I, spend behind these county bars
you see son I, I drinks a bit.”
Then he shook his head. Oh Lord when he shook his head,
I could swear I heard someone say please, please
That’s Mister Bo-ojangles. Call him Mister Bo-ojangles.
Mister Bo-ojangles, come back and dance. And dance. And dance – Please dance
Mister Bo-ojang-gles, Mister Bojangles
Mister Bojangles, come back and dance. And dance. And dance. Please dance.
Robbie Williams – Mr. Bojangles
Bobby Brown – Performing Mr. Bojangles
Bill “Bojangles” Robinson–Step Dance–Swanee River (1932)
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Não quero mudar ninguém. Fico feliz contente por encontrar alguém que me queira sem me mudar, que eu queira sem a mudar. Adaptamo-nos, sim, à vida, à realidade, adaptamos a realidade, se quiserem, e até podemos adaptar a vida, mas cada um é como é. Não me compete julgar.
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um blogue handCrafted da Juliana Pinto da Costa