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ilusões

Nos seus ensaios sobre o inesperado, Daniel J. Boorstin diz que “O descobridor negativo é um destruidor histórico de ilusões”. São várias lutas. Há uma luta racional que tenta provar factos e há outra, talvez irracional, que tem no outro lado do ringue o que está estabelecido, os afectos, os dogmas, as verdades. Depois dos factos há que lutar contra os argumentos. Porque há alturas em que contra factos só restam argumentos.

categorizar

Agrupo as minhas ex-namoradas em três categorias

1) Somos muito amigos e falamos quase todos os dias

2) Somos muito amigos e falamos de vez em quando

3) Somos muito amigos sempre que não falamos

pá, deixaste-me com uma lágrima no canto do olho…

Paris 2004

This is not a photo opportunity
Maio/2004

sexta-feira

Sexta-feira, noite de desenganos. Como uma manta de retalhos colo os vários momentos sem saber que fazer aos hiatos que nem sei onde procurar. Há lacunas que sei que não quero encontrar. São esses os desenganos. Noite longas têm esse problema: muita coisa acontece e muito acaba por ficar como se um sonho tivesse sido.

Nunca me recordo dos sonhos. Momentos há em que vivo como se tivesse sonhado, mas raramente sonho como se tivesse vivido. Caminho no limbo remelgado da certeza e do desengano, da verdade da consciência, dessa mentira que queremos como nossa, verdadeira. Nunca sei quando acordo nem sei em que altura adormeci. Sei que foi uma noite de desenganos. Não há que enganar.

(…)

A noite acabou algures em Lisboa, na Cachupa, para os lados do incógnito, ali entre o primeiro e o último andar de uma escadaria que já deve ter visto melhores noites. Lembro-me dela como há dez anos, a primeira vez que lá fui. A noite acabou quando já era dia e já não era sexta feira. Era outro dia, mas ainda não tinha acordado. Talvez o maior desengano. Ainda todos os gatos estavam pardos, toda a verdade era mentira.

(A cachupa continua lá. Igual a si mesma.)

vida

Como se a vida se repetisse de forma distorcida, contorcendo o presente, recriando a realidade e mudando o passado. A vida, a nossa, repete-se e o que já vivemos deixámos de ter vivido. Foi outra vida. Foi outro dia.

A La petite au chocolat, já referida aqui, Paris e eu (a partir de onde cheguei ao Paris Daily Photo) e Pouco Sozinho (pouco sozinha?).

Também nas viagens entro em estágio… agora Paris, depois Moçambique, espero, e, em Junho, Alemanha.

O Maquinista

Trevor Reznik, Christian Bale, olha-se ao espelho e diz: I know who you are. I know who you are. I know who you are.
Não precisou de mais. Depois de saber quem era, três vezes depois, soube o que fazer. Fez.

Nem sempre é fácil.

não fora ela não saberia
quem foste de onde vim
desta terra que tenho em mim
que tanto destrói como cria
quem me fez num qualquer dia
sob um céu de carmim
ou de outro qualquer enfim
não interessa nem eu quereria

há na rua onde moro
uma placa que me diz

O Maquinista

the machinist Jennifer Jason Leigh
Jennifer Jason Leigh

O Maquinista

the machinist
O mais interessante do filme não são os quilos que o Christian Bale perdeu para o fazer. O maquinista conta-nos a história de um homem atormentado. Um homem atormentado por uma perseguição de que é alvo. Um homem atormentado pela vida. Um homem que não sonha nem dorme há mais de um ano. Um homem cuja vida é um pesadelo. Este filme é um drama. Aposto que daria um bom blogue.

(ah, e para os fãs, é um filme repleto de referências a Dostoievski)

O Maquinista

the machinist Christian Bale
Christian Bale perdeu mais de 20 quilos para fazer este filme.

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