Tudo continua no mesmo sítio. Para mim, primeira vez, ainda mais. Hoje, tapas à volta do Barnebéu, avançaremos até Mala Saña (el bairro alto da zona) e acabaremos a noite no Sala Sol, onde não conhecemos ninguém, ou no Ananda, estação de Atocha, onde temos uma amiga (mas o bom de Madrid é que isso é irrelevante…). Hasta.
Tudo continua no mesmo sítio. Para mim, primeira vez, ainda mais. Hoje, tapas à volta do Barnebéu, avançaremos até Mala Saña (el bairro alto da zona) e acabaremos a noite no Sala Sol, onde não conhecemos ninguém, ou no Ananda, estação de Atocha, onde temos uma amiga (mas o bom de Madrid é que isso é irrelevante…). Hasta.
Dois seres que se amam profundamente não precisam de outras justificações para amar a vida. Bastam-se, não precisam de nada nem de ninguém. O amor autêntico, que pode ser preservado apesar da passagem dos anos, dá à vida todo o sentido, toda a sua razão de ser. Não é a única forma de dar razão à existência (o compromisso social, o sentimento de fazer progredir o mundo em que vivemos, a amizade, etc., também podem construir este sentido), mas pode ser a mais bela razão de viver que existe.O que me entristece é que o casal permaneça unido pelo hábito, pela pressão social… Logo que dois seres se sentem ligados não tanto por se amarem, o que era libertação e plenitude transforma-se em angústia e prisão. Sartre e eu nunca vivemos juntos e sempre considerámos ser livres de correntes que nos prendessem um ao outro. Se permanecemos unidos toda a vida, foi porque nos amámos profundamente e porque, livremente, sempre tivemos vontade de estar um com o outro. E isso é a coisa mais bela que pode acontecer a um ser humano. O amor dá força e coragem para enfrentar o mundo e a vida, a dois e não a um só. É muito!
2004, Casamento do Tomek e Maja. Nunca pensei que se pudesse dançar tanto num casamento. São loucos, os cabeçudos. Vodka, dançar, vodka, comer, vodka, dançar, vodka, vodka, comer, dançar, vodka, vodka… bem vistas as coisas, dançar nem foi o que mais fizemos…
Highlights
Foi o primeiro casamento a que fui sem qualquer prato de bacalhau. A carne crua, com ovo a cavalo, foi o elo mais forte.
Na igreja atiraram moedas aos noivos. Ajudámos a apanhar algumas que guardámos como recordação. Ninguém viu.
Não falhámos nenhum brinde, vodka, e conseguimos surpreender os polacos ao chegar a casa pelo nosso pé.
Não foi a noiva a atirar o bouquet. Foi o noivo que atirou a gravata e eu o azarado que a apanhou. Provou-se que ainda não tinha bebido vodka suficiente.
Hoje o carteiro deixou-me a encomenda que o Tomek enviou da Polónia. Três CDs com fotos dos nossos últimos encontros, três garrafas de vodka (Wódka Zoladkowa Gorzka, Vodka Debowa e Zubrowka) e 1.800.000 meticais que ficaram da nossa última ida a Moçambique e que irei aplicar numa jantarada no Miramar.
Este terá sido o último jogo, deste ano, no Estádio da Luz. A partir daqui os jogos serão algures em Moçambique, Maputo, no eagles, ou não, desde que fora de casa, desde que com amigos, sem rulotes. Pessoa estava errado. O melhor do mundo é a bifana, a entremeada e o coirato, em dia de jogo. O melhor do mundo é o pulsar do povo, as conversas de futebol, tácticas e jogadores. O melhor é o tuga que estaciona o seu Porsche em frente à rulote enquanto outros tugas, que os há para todos os gostos, discutem em alto e bom som que ‘isto é que é um cagão. Vem com o seu Porsche, estacionamento pago no parque… ah pois é… isto é que é um cagão’. Os ricos também gostam de coirato.
O próximo jogo será em Moçambique. O eagles é bom, mas faltar-lhe-á, sempre, o melhor do mundo.
Pela morte vivemos, porque só somos hoje, porque morremos para ontem.
Pela morte esperamos, porque só poderemos crer em amanhã, pela confiança da morte de hoje.
Tudo o que temos é a “Morte”, tudo o que queremos é a morte, é morte tudo o que desejamos querer…
Pesquisar no google por imagens associadas à palavra “death” pode ser uma experiência traumática. De todas, esta não deixa de ser a imagem mais premonitória. A morte, afinal, calha-nos a todos, mas há umas mais confortáveis que outras…