Mundos
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Não estou particularmente de acordo com o comentário. Isto é, não é tão simples assim.
Gosto de imaginar que somos mundos dentro de outros mundos mais abrangentes. Imagino o universo, o maior mundo conhecido, como um saco que contém outros sacos, mais pequenos. São planetas, são estrelas, são outros mundos, conhecidos ou não, que estão dentro do saco maior. Dentro desses outros sacos existem mais mundos. No saco ‘Terra’, que está dento do saco universo, existe, para simplificar, um saco para cada ser humano que representa o seu mundo. Cada ser humano tem um mundo, único e só seu. São os mundos que nós sabemos poderem sentir e ter consciência do que os rodeia e são, para este efeito, os mundos que nos interessam. Acontecimentos que ocorrem em vários mundos ao mesmo tempo passam a existir, individualmente, em cada um desses mundos e em cada um deles o acontecimento tem particularidades únicas que, embora no geral ele seja o mesmo acontecimento, o diferiencia de todos os outros. Também aqui acontecimentos só são reais no mundo em que ocorrem, mas basta um acontecimento existir num destes mundos para que exista.
Assim, as pessoas só deixam de existir quando são esquecidas em todos os mundos. Enquanto num mundo a lembrança existir a pessoa sobrevive.
Assim, a traição só existe no mundo de quem é traído quando descobre, mas existe sempre no mundo de quem trai.
O comentário comentado não tem nada de simples. Tem tudo de complexo.
Para o meu mundo a morte acontece quando eu esqueço. Mesmo que o resto do mundo ainda lembre.
E trair. Trair é um verbo muito complicado.