O curso de vinho e vinhas começa sempre com uns quantos frascos de cheiros a nossa frente. O objectivo é reconhecê-los. Ora, para um nariz habituado a distinguir a delicada diferença entre um coirato e uma entremeada bem passada, nada parece difícil, muito mesmo impossível, neste campo. Apresento já algumas vitórias no meu currículo.
Por exemplo, quando me dão a cheirar amora, framboesa ou morango acerto sempre, nem sempre em cheio, mas sempre ali por perto. Nessas alturas digo sempre que “ou é amora, framboesa ou morango”. “Não há que enganar”, gosto de acrescentar. Às vezes é groselha, mas… raramente.
O mais difícil é com cheiros que não temos cheiramos todos os dias. Cheiro a cavalo, por exemplo. Se me aparece o cheiro a cavalo tenho mais dificuldade em distinguir se é cedro ou espargos. A cavalo nunca me cheira.
Tudo se torna mais fácil quando nos dão a solução. “Cheira lá e diz-me se não é melão.” “Ah, pois é. Claro que é melão. Quem escreveu Feno no meu post-it?”
E assim passamos alguns minutos na galhofa como se isto dos vinhos fosse uma brincadeira. No final do exercício, sinto que nem tudo está perdido para este nariz que passa o tempo enfiado na mostarda de uma entreada ou coirato…