Ciclos
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– Os meus pêsames, sussurrou na voz mais lúgubre que conseguiu emitir.
Não foi preciso dizer mais nada. Por trás de si estava uma senhora de idade avançada, chorosa, chegada naquele instante, que se abraçou à mãe do falecido. Era a tia, irmã.
– São cruéis estes ciclos que a vida tem. – Disse enquanto se voltava para A. – Lembro-me de aos dezasseis anos ter um aniversário de quinze em quinze dias. A minha mãe quase que duvidava que pudesse ter tantos amigos. Os aniversários estabilizaram, mas a partir dos 25 anos chegaram os casamentos. Num ano tive quatro casamentos. Quase tantos casamentos quanto aniversários. Daqui a uns tempos estou certo que começam a nascer filhos como cogumelos e, um dia, chegará a altura em que já só encontramos os amigos nos velórios. E a cada velório serão menos. Talvez não passe por isso se o meu for o primeiro…