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Arquivos da categoria 'eclipsad'

vidas reais

Dramas amorosos. Pensamentos secretos. Blogues anónimos.
Há muitos.
Às vezes, parece que conhecemos quem os vive.
A vida repete-se. Connosco. Com os outros.

[escrevi ontem, as 20h. ficou nos drafts. antes de colocar online a maresia comenta um outro texto: fogo, correu-me um arrepio… podia ter sido eu a dizer isto, é incrível! quem és tu? . A vida repete-se.]

saudades

Beijo enorme. Saudades tuas.

Retribuo o beijo. Dou-te tudo. Só não mato as saudades. Parecem ser a chama que te aquece o coração.
Tu não vives sem saudades.
Eu não quero viver sem ti.

desejos

Desejo-te.
Desejo-te quando não te vejo e procuro-te de olhos fechados. Não preciso de os abrir para chegar até ti. A estrada que nos une já a percorri demasiadas vezes para conseguir fazê-la de olhos fechados. Em sonhos.
Não sei de que forma poderei ser teu. Quero ser de alguém. Não ser de mais ninguém, senão meu.
Talvez não tenhas de existir. Em mim.

Traz-me silêncios
que não me deixem dormir
e cheiros que não me
permitam distinguir
onde começas ou acabas

Não te quero ver o fim

Dá-me a paz
de uma guerra anunciada
Armas que não me
matem
Dá-me tudo

Das-me o teu corpo
nu
Nada
Da-me um abraço
Um cheiro que não me diga
se sou eu
se és tu

Começou a chover.
Baixo o som da televisão para me poder sentir molhado dentro destas quatro paredes e com um tecto para me proteger. Não quero ir para a rua. Não é pelo tempo agreste, mas o aconchego de casa contrasta com o frio que a chuva traz ao cair na rua. Um frio que não existe, mas que procuro.
Arrepio-me.
Oiço cada gota cair na memória do nosso tempo.

– Não ia aguentar saber dela na cama com outro.

Enquanto bebemos um copo e falamos de gajas, das gajas, deixas cair na mesa a minha maior verdade: não quero saber. Acabamos por sentir o mesmo, pelo mesmo, mas não pela mesma. Estamos dispostos a viver, tudo igual, sem condições, desde que o caminho não nos leve ao mesmo lugar, desde que o lugar não nos leve ao caminho. Essa estrada já não me trespassa o coração.
Por isso tudo está bem. Somos amigos. Conversamos. Almoçamos ou jantamos. Podemos fazer tudo. Só não quero saber se estiveres na cama com outro. Todas as verdades que construiram a nossa relação devem fundir-se na maior mentira de todas: depois de mim, mais ninguém.
Pela parte que me toca
se não souber
não aconteceu.

Não precisas de nada. Não tens nada que me provar. Mas prova-me.

lembras-te?

Não é por fotografias que ele se deve recordar de quem quer que seja.

Por muito boas que estejam, fotografias são passado, não são presente, nunca serão futuro.

(…)

Não foi hoje. Talvez nunca venha a ser.

Conversas

S says: aposto que ele é mto fixe e a adora
Eclipsad says: sim
Eclipsad says: muito
S says: mas ela não…
S says: ela n quer o fácil
S says: prefere atirar-se ao outro
S says: que só quer ir prá cama com ela
S says: n é assim sempre?

rotas

Deixei de te ler. Deixei também de escrever-te e de traduzir em palavras todas as contradições que geras. Na verdade, continuo a escrever-te, como agora, mas já não lês. Deixaste de te ler em mim. É isso. Estou aqui, sem te ler porque escolhi outro caminho. Sempre a caminho de ti.

o tempo

Passamos mais de uma hora e meia ao telefone. O jantar, que não resiste tanto quanto eu, queima-se. Eu também me queimo com o jantar, já depois de desligarmos. Continuamos e trocamos mensagens sobre o tempo.
Tanto gostas dele como o odeias, dizes tu. Eu digo que quarta feira vamos ver o tempo voar quando, na verdade, quero ver-me a voar contigo. Não sei se teremos tempo para tudo. Quero ter tempo para nós. Não precisa de ser quarta. Pode ser sempre.

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