do tempo
Tags: Meia Maratona
Aos 30 anos qualquer pessoa que não sofra de nenhum problema de maior, se quiser, consegue correr uma meia-maratona. Não é difícil, só é necessário escolher o tipo de sofrimento que se deseja.
Quem cumprir um plano de treinos apropriado, como fiz para a minha primeira, passa pelo tempo a correr e, sem dar por isso, chega ao fim, todo partido, mas com um sorriso. Quem não cumprir um plano de treinos, mas cumprir um outro plano qualquer, terá, nos últimos cinco ou seis quilómetros, uma boa oportunidade de saber quão forte é a sua determinação e capacidade de sofrimento. Quem, mesmo sem treino, e, provavelmente, com alguns quilos a mais, quiser fazer os 21,1km, só precisa estar disposto a ficar sem joelhos. Fácil. Escolhendo uma destas alternativas, qualquer um, aos 30 anos, consegue terminar uma meia-maratona.
Aos 80 anos, o cenário não é tão simples. Antes de mais, há que lá chegar (a parte menos complicada), com alguma saúde (ora, se aos 30 os joelhos começam a dar de si, aquela dor nas costas e pescoço aparece intermitentemente e ainda faltam 50 anos, é fazer as contas) e vigor físico (o que quer que, aos 80 anos, isto seja). Reunidos estes pré-requisitos, há-de haver ainda o dia em que se tem de decidir mudar de vida: “hoje não vou jogar damas para o jardim”. Aos 80 anos, chegar à linha de partida é meia vitória. Chegar à linha de chegada deve ser a outra metade. A vida não é mais complicada do que isto. Complicado é, na meia-maratona de Berlim, ficar à frente, por escassos minutos, dos sete participantes com mais de 80 anos e ainda me faltarem cerca 50 para lá chegar.




