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(…)

estou a tentar escrever qualquer coisa, mas não sai
fui apanhado de surpresa, mas, pela primeira vez, senti, verdadeiramente, que vale a pena

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia

Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram

Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto

Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!

José Carlos Ary dos Santos

Adenda: A ouvir na voz de Carlos do Carmo

Não foi o primeiro, Tudo bem?, olha a volta e não vê mais pessoas, Já chegou mais alguém?, não, claro que não, começam a chegar, que tens feito?, O costume, faz sempre o costume, Trabalho, vou agora de férias, Olha o I, olham os dois para a porta, o I, que não se chama I, mas que I ficou, IIIII!, o I vem, Então, tudo bom?, não se lembram da última vez que se viram, Há quanto tempo, que tens feito?, o costume, sempre o costume nestes encontros, fala-se pouco de tudo e prefere-se falar muito de nada, hoje joga o porto contra o Benfica, Quinze a zero, grita-se lá do fundo, Quinje a jero, há sempre quem responda, responde sempre mais alto, já não se consegue conversar calmamente e grupos de quatro ou cinco juntam-se, Então, que tens feito?, Onde vais ver o jogo, Onde foste buscar o Martini, está o empregado a perguntar quem quer, anda sempre por aí, quantos mais servir, melhor, Vamos para a mesa, alguém tira o som do telemóvel, há sempre alguém que tira o som do telemóvel, mas deixa-o em cima da mesa, mesmo junto ao copo, pode sempre tocar, Que vais comer, não sei que coma, o costume, talvez.

[ao estilo de Rodrigo Guedes de Carvalho, A Casa Quieta]

No karaoke as músicas estão assim classificadas… ao estilo de…

Podemos ter o Blue Suede Shoes ao estilo de Elvis Presley ou ao estilo de Carl Perkins. A música até é dele, não é do Elvis, mas o estilo, podemos escolher. Nem precisamos de saber a letra. Ninguém espera que cantemos tão bem ou melhor que o original. Podemos desafinar. É assim o Karaoke.

Também podemos escrever ao estilo de… tal como o karaoke, serve de diversão e nada mais. E também podemos desafinar…

festas

hoje
no escritório
estamos em estágio para a festa de amanhã

karaoke para todos
amanha é em Almada
só falta encontrar os microfones sem fios
porque é que os microfones são ‘sem fios’ e a internet é ‘wireless’

a ouvir

The Black Eyed Peas
Let’s Get Retarded

definhar

é que está a acontecer a este blogue… afinal, na génese de um ciclo está o seu fim. O fim.

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o fim

foi ontem

está quase

Agenda

Quinta, 20 de Outubro, 23:30, RTP1
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Jack and Bobby

Better Days

It’s hard to raise someone who’s a better person than you are.

Jack and Bobby

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