Tags: A Memória Inventada
Nestes anos de blogosfera, se me esforço por não recordar uma curiosa altercação com uma prostituta bloguista, a interacção mais estranha que tenho é com uma pessoa que me escreve periodicamente a propósito de textos que lê no MI e que julga que lhe são dirigidos.
Por vezes escrevo textos a pensar em alguém em concreto e o modo como essa pessoa por identificar está associada ao texto pode ir da tentativa de sedução à sublimação de uma frustração, passando por um discreto agradecimento.
Quanto à pessoa que insiste em ler no MI algo que não existe, só espero que deixe de o fazer e que se trate, mas há alturas em que quase a percebo e quase cedo ao mesmo vício de ler por aí um texto como se me fosse dedicado. A grande literatura pode criar no leitor a ilusão ou o desejo de que o texto foi escrito só para ele. Mas no caso da minha leitora e dos meus deslizes não se trata de literatura, apenas de um grande equívoco.
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