A expressão “dissonância cognitiva”, criada pelos psicólogos sociais, pode ser simplificadamente entendida como a discrepância entre os dados da realidade e o modo pelo qual a mesma realidade é percebida.
Para reduzir a dissonância, nós dispomos de diversos meios: modificar nosso comportamento, mudar nossas opiniões, ou ainda incorporar informações novas ao nosso estoque de conhecimentos.
(…)
Uma dissonancia intervem também quando o individuo é solicitado por uma tentação que ele percebe como culpada. Um homem que cometeu um tao repreensível aos seus próprios olhos está sujeito a uma dissonância cognitiva penível,. Ele a reduz adotando uma atitude mais indulgente do que a que ele possuia antes, frente ao comportamento incriminado. Ele se arranja assim para melhor se perdoar. Ao inverso, qualquer um que resistiu a uma tentação vergonhosa é muito mais severo em relação ao ato que ele não cometeu, um modo de reduzir a dissonância causada pela frustração de não ter gozado o prazer defendido.
A pensar na relação existente entre arrependimento, necessidade de redução da dissonância, auto-estima. Parece-me contra-natura não termos arrependimentos, por muito curta que seja a percepção temporal da nossa existência. Contudo, há quem não os tenha. Parece-me que há quem precise de não ter arrependimentos. Há quem nunca os veja, nunca os tenha, mas nunca deixe de os sentir. Há quem o tenha e nunca os deixe de ter. Procurar aceitar os seus arrependimentos com a naturalidade possível, pode não ajudar a evitá-los.
Por vezes a única solução é viver com o arrependimento. Há que aprender.
A pensar nisto… Só espero não me arrepender de o ter escrito.
[um smile manhoso]
Posted in Arrecadação | 6 Comments
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“O arrependimento não mata mas mói”;
Foi o que sempre ouvi dizer.
:) um bocadinho. tudo mói!, por isso não é grave.
Confessar o arrependimento é como passar um atestado de estupidez a nós mesmos, quem quer isso? :) Mais vale deixar moer e manter as aparências.. Beijinho!
ai susana que não consigo concordar. penso ter dois dedos de testa suficientes para reconhecer e aprender com os erros, mas lá por ter aprendido com erros não quer dizer que eles tenham sido positivos, não deixaram de ser erros. Assim, mais vale confessar-me arrependida, afirmar que fui estúpida mas já não volto a ser. E esta é para mim uma muito boa aparêcia a manter (pois, pois, mas é claro que tenho pedacinhos da minha cabeça que de tanto marrar já ganharam calo). de qualquer forma que remédio tenho eu se não deixar moer, desde que não roa…
Susana, penso que há que assumir os erros. Primeiro, perante nós, depois, perante a nossa realidade. Não faz sentido dissimular e vivermos em contradição com o que sentimos e somos.
É fácil confessá-lo a nós mesmos, não aos outros, por isso disse (irónicamente) que mais vale manter as aparências e deixar moer, o arrependimento faz parte da experiência, vem com o pacote da vida, mas nem todos, nem sempre se aceita isso de bom grado, ninguém gosta de admitir que falhou..