{"id":874,"date":"2005-12-28T15:15:32","date_gmt":"2005-12-28T15:15:32","guid":{"rendered":"http:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/?p=874"},"modified":"2016-09-26T11:45:18","modified_gmt":"2016-09-26T10:45:18","slug":"menina-nao-entra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/menina-nao-entra\/","title":{"rendered":"menina n\u00e3o entra"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 uns anos, naquela altura em que ainda n\u00e3o podemos votar, mas em que j\u00e1 sabemos que a hist\u00f3ria da cegonha n\u00e3o \u00e9 bem como nos contaram, juntei-me ao Gon\u00e7alo e ao Miguel para formarmos um clube. O nome n\u00e3o vem muito a prop\u00f3sito pela simples raz\u00e3o que, hoje, me parece um bocado redutor dos seus grandiosos prop\u00f3sitos. O grande objectivo inicial era n\u00e3o fazermos nada e passarmos uma tarde no caf\u00e9 na conversa, com estilo. Rapidamente metemos o estilo na gaveta e surgiu a ideia de escrevermos um poema, durante a semana, que depois seria lido ao caf\u00e9 na sexta-feira, \u00e0 tarde. Leitura, discuss\u00e3o, goza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Miguel era o pseudo intelectual. Na altura lia mec.<br \/>\nEu era o pseudo apaixonado. Rimava amor com calor e paix\u00e3o com mel\u00e3o.<br \/>\nO Gon\u00e7alo era o pseudo c\u00f3mico. \u00c9 f\u00e3 do Tom Cruise e s\u00f3 isso d\u00e1 vontade de rir. <\/p>\n<p>Pass\u00e1mos umas semanas a brincar aos poetas at\u00e9 que a miss carmen tamb\u00e9m se quis aventurar nestas lides. Numa noite impr\u00f3pria para consumo a Carmen leu-nos o seu primeiro poema. Momento solene. J\u00e1 s\u00f3 recordo a <i>pujan\u00e7a<\/i> do poema. Discuss\u00e3o, goza\u00e7\u00e3o e mand\u00e1mos a carmen ir crescer para o quarto. Foi a \u00faltima vez dela.<\/p>\n<p>N\u00f3s tamb\u00e9m fomos crescer. O Miguel deixou de ler mec, eu deixei de rimar e o gon\u00e7alo deixou de ver o Cocktail. Nesse dia, deix\u00e1mos de escrever poesia. Continu\u00e1mos a ir ao caf\u00e9, de vez em quando, ler poemas, cuidadosamente seleccionados, de Bocage.<\/p>\n<p><strong>Amar dentro do peito&#8230; <\/strong><\/p>\n<p><em>Amar dentro do peito uma donzela;<br \/>\nJurar-lhe pelos c\u00e9us a f\u00e9 mais pura;<br \/>\nFalar-lhe, conseguindo alta ventura,<br \/>\nDepois da meia-noite na janela:<\/p>\n<p>Faz\u00ea-la vir abaixo, e com cautela<br \/>\nSentir abrir a porta, que murmura;<br \/>\nEntrar p\u00e9 ante p\u00e9, e com ternura<br \/>\nApert\u00e1-la nos bra\u00e7os casta e bela:<\/p>\n<p>Beijar-lhe os vergonhosos, lindos olhos,<br \/>\nE a boca, com prazer o mais jucundo,<br \/>\nApalpar-lhe de leve os dois pimpolhos:<\/p>\n<p>V\u00ea-la rendida enfim a Amor fecundo;<br \/>\nDitoso levantar-lhe os brancos folhos;<br \/>\n\u00c9 este o maior gosto que h\u00e1 no mundo<\/em><\/p>\n<p>Manuel Maria Barbosa du Bocage<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 uns anos, naquela altura em que ainda n\u00e3o podemos votar, mas em que j\u00e1 sabemos que a hist\u00f3ria da cegonha n\u00e3o \u00e9 bem como nos contaram, juntei-me ao Gon\u00e7alo e ao Miguel para formarmos um clube. O nome n\u00e3o vem muito a prop\u00f3sito pela simples raz\u00e3o que, hoje, me parece um bocado redutor dos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[244,1,3],"tags":[223],"class_list":["post-874","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-aleatorio","category-arrecadacao","category-poesia","tag-poesia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/874","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=874"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/874\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5696,"href":"https:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/874\/revisions\/5696"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=874"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=874"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=874"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}