{"id":1924,"date":"2006-09-30T23:25:14","date_gmt":"2006-09-30T21:25:14","guid":{"rendered":"http:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/index.php\/1924\/2006\/09\/30\/quero-ser-tambor\/"},"modified":"2016-09-26T11:44:04","modified_gmt":"2016-09-26T10:44:04","slug":"quero-ser-tambor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/quero-ser-tambor\/","title":{"rendered":"Quero Ser Tambor"},"content":{"rendered":"<p><em>Tambor est\u00e1 velho de gritar<br \/>\nOh velho Deus dos homens<br \/>\ndeixa-me ser tambor<br \/>\ncorpo e alma s\u00f3 tambor<br \/>\ns\u00f3 tambor gritando na noite quente dos tr\u00f3picos.<\/p>\n<p>Nem flor nascida no mato do desespero<br \/>\nNem rio correndo para o mar do desespero<br \/>\nNem zagaia temperada no lume vivo do desespero<br \/>\nNem mesmo poesia forjada na dor rubra do desespero.<\/p>\n<p>Nem nada!<\/p>\n<p>S\u00f3 tambor velho de gritar na lua cheia da minha terra<br \/>\nS\u00f3 tambor de pele curtida ao sol da minha terra<br \/>\nS\u00f3 tambor cavado nos troncos duros da minha terra.<\/p>\n<p>Eu<br \/>\nS\u00f3 tambor rebentando o sil\u00eancio amargo da Mafalala<br \/>\nS\u00f3 tambor velho de sentar no batuque da minha terra<br \/>\nS\u00f3 tambor perdido na escurid\u00e3o da noite perdida.<\/p>\n<p>Oh velho Deus dos homens<br \/>\neu quero ser tambor<br \/>\ne nem rio<br \/>\ne nem flor<br \/>\ne nem zagaia por enquanto<br \/>\ne nem mesmo poesia.<br \/>\nS\u00f3 tambor ecoando como a can\u00e7\u00e3o da for\u00e7a e da vida<br \/>\nS\u00f3 tambor noite e dia<br \/>\ndia e noite s\u00f3 tambor<br \/>\nat\u00e9 \u00e0 consuma\u00e7\u00e3o da grande festa do batuque!<br \/>\nOh velho Deus dos homens<br \/>\ndeixa-me ser tambor<br \/>\ns\u00f3 tambor!<\/em><\/p>\n<p>Jos\u00e9 Craveirinha<\/p>\n<p>A recordar a Ilha de Mo\u00e7ambique h\u00e1 cerca de um ano. Os quatro dias que l\u00e1 passei coincidiram com as festas e a noite encheu-se de batuques que alimentavam dan\u00e7as em cada esquina. <em>tambor ecoando como a can\u00e7\u00e3o da for\u00e7a e da vida<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tambor est\u00e1 velho de gritar Oh velho Deus dos homens deixa-me ser tambor corpo e alma s\u00f3 tambor s\u00f3 tambor gritando na noite quente dos tr\u00f3picos. Nem flor nascida no mato do desespero Nem rio correndo para o mar do desespero Nem zagaia temperada no lume vivo do desespero Nem mesmo poesia forjada na dor [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[244,27],"tags":[235,223],"class_list":["post-1924","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-aleatorio","category-mocambique-2","tag-mocambique","tag-poesia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1924","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1924"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1924\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5672,"href":"https:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1924\/revisions\/5672"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1924"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1924"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1924"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}