{"id":1701,"date":"2006-07-14T11:54:50","date_gmt":"2006-07-14T10:54:50","guid":{"rendered":"http:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/index.php\/1701\/2006\/07\/14\/1701\/"},"modified":"2006-07-14T12:12:26","modified_gmt":"2006-07-14T11:12:26","slug":"1701","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/1701\/","title":{"rendered":"B\u00f3snia"},"content":{"rendered":"<p><a class=\"imagelink\" title=\"Bosnia\" href=\"http:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/wp-content\/uploads\/2006\/07\/Bosnia.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"196\" height=\"138\" align=\"left\" title=\"Bosnia\" id=\"image1702\" alt=\"Bosnia\" src=\"http:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/wp-content\/uploads\/2006\/07\/Bosnia.jpg\" \/><\/a>Joaquim Sapinho realizou um document\u00e1rio na B\u00f3snia. <em>O sofrimento n\u00e3o me permitia aproximar das pessoas<\/em>, \u00e9 o que se pode ler na p\u00e1gina do P\u00fablico. H\u00e1 mais no jornal. Um pouco mais no document\u00e1rio. Tudo o resto, o que \u00e9 verdadeiramente importante, continua l\u00e1, onde regresso, daqui.<\/p>\n<p>Quando, em 1998, estive na B\u00f3snia, numa reuni\u00e3o internacional da <a href=\"http:\/\/www.aiesec.pt\/\">AIESEC<\/a>, travei conhecimento directo com as marcas da guerra. Sem perigo de ataques, sem balas que nos pudessem passar ao lado, nesta ilus\u00e3o de que s\u00f3 aos outros acontece, para onde quer que olhasse restavam as feridas, pr\u00e9dios cravejados de marcas que o tempo n\u00e3o apagava, bairros destru\u00eddos, vidas, aparentemente, descontextualizadas, pessoas como n\u00f3s. No centro, uma cidade que procurava a normalidade. Uma reconstru\u00e7\u00e3o que procurava lavar a cara, mas que n\u00e3o conseguia sarar a dor.<\/p>\n<p>Chegados ao aeroporto v\u00e1rios amigos, somos sempre todos amigos, esperavam por n\u00f3s. Dali partimos para uma semana inesquec\u00edvel entre Sarajevo e Neum. Dias felizes.<br \/>\nNessa semana, j\u00e1 depois de uma noite de confraterniza\u00e7\u00e3o, regada com uns copos de cerveja &#8211; n\u00e3o \u00e9 o futebol que une os povos -, fala-me da vida que teve. Somos da mesma idade, recordei. Tinha estado nas montanhas, escondido, armado, a proteger a vida, a lutar contra os seus. Por l\u00e1 ficou, semanas, meses, uma vida, quis-me parecer. Quando tudo acabou n\u00e3o tinha nada. Perdeu-se na primeira tasca que encontrou, era outra vida, totalmente b\u00eabado. Bebia para esquecer. Bebia na certeza de que pais e irm\u00e3os teriam perecido \u00e0 lei da bala. Bebia sozinho. Bebia porque n\u00e3o tinha nada.<\/p>\n<p>Passado uns tempos reencontrou-se, reencontrou tamb\u00e9m parte da fam\u00edlia, recuperou a esperan\u00e7a e vivia, naquela altura, toda a ilus\u00e3o que lhe era permitida. Est\u00e1vamos como irm\u00e3os, separados por uma vida. Nada nos unia. \u00c9ramos um, mas nos olhos do outro n\u00e3o nos consegu\u00edamos ver.<\/p>\n<p>Perdi-lhe o rasto. A vida, por c\u00e1, continua com as insignificantes certezas de sempre. Que por l\u00e1 persista a esperan\u00e7a e a luta por uma vida melhor. Pouco mais nos resta. A todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Joaquim Sapinho realizou um document\u00e1rio na B\u00f3snia. O sofrimento n\u00e3o me permitia aproximar das pessoas, \u00e9 o que se pode ler na p\u00e1gina do P\u00fablico. H\u00e1 mais no jornal. Um pouco mais no document\u00e1rio. Tudo o resto, o que \u00e9 verdadeiramente importante, continua l\u00e1, onde regresso, daqui. Quando, em 1998, estive na B\u00f3snia, numa reuni\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1701","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arrecadacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1701","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1701"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1701\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1701"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1701"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1701"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}