{"id":1276,"date":"2006-03-21T12:37:19","date_gmt":"2006-03-21T12:37:19","guid":{"rendered":"http:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/?p=1276"},"modified":"2006-03-21T12:37:19","modified_gmt":"2006-03-21T12:37:19","slug":"dia-mundial-da-poesia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/dia-mundial-da-poesia\/","title":{"rendered":"Dia Mundial da Poesia"},"content":{"rendered":"<p><strong>C\u00e2ntico negro<\/strong>, de Jos\u00e9 R\u00e9gio, por Jo\u00e3o Villaret no S. Luiz<br \/>\n<a id=\"p1275\" href=\"http:\/\/tiago.pinhal.com\/blogue\/wp-content\/uploads\/2006\/03\/Joao%20Villaret%20Cantico%20Negro.mp3\"><\/a><\/p>\n<p><em>&#8220;Vem por aqui&#8221; \u2014 dizem-me alguns com os olhos doces<br \/>\nEstendendo-me os bra\u00e7os, e seguros<br \/>\nDe que seria bom que eu os ouvisse<br \/>\nQuando me dizem: &#8220;vem por aqui!&#8221;<br \/>\nEu olho-os com olhos lassos,<br \/>\n(H\u00e1, nos olhos meus, ironias e cansa\u00e7os)<br \/>\nE cruzo os bra\u00e7os,<br \/>\nE nunca vou por ali&#8230;<br \/>\nA minha gl\u00f3ria \u00e9 esta:<br \/>\nCriar desumanidades!<br \/>\nN\u00e3o acompanhar ningu\u00e9m.<br \/>\n\u2014 Que eu vivo com o mesmo sem-vontade<br \/>\nCom que rasguei o ventre \u00e0 minha m\u00e3e<br \/>\nN\u00e3o, n\u00e3o vou por a\u00ed! S\u00f3 vou por onde<br \/>\nMe levam meus pr\u00f3prios passos&#8230;<br \/>\nSe ao que busco saber nenhum de v\u00f3s responde<br \/>\nPor que me repetis: &#8220;vem por aqui!&#8221;?<\/p>\n<p>Prefiro escorregar nos becos lamacentos,<br \/>\nRedemoinhar aos ventos,<br \/>\nComo farrapos, arrastar os p\u00e9s sangrentos,<br \/>\nA ir por a\u00ed&#8230;<br \/>\nSe vim ao mundo, foi<br \/>\nS\u00f3 para desflorar florestas virgens,<br \/>\nE desenhar meus pr\u00f3prios p\u00e9s na areia inexplorada!<br \/>\nO mais que fa\u00e7o n\u00e3o vale nada.<\/p>\n<p>Como, pois, sereis v\u00f3s<br \/>\nQue me dareis impulsos, ferramentas e coragem<br \/>\nPara eu derrubar os meus obst\u00e1culos?&#8230;<br \/>\nCorre, nas vossas veias, sangue velho dos av\u00f3s,<br \/>\nE v\u00f3s amais o que \u00e9 f\u00e1cil!<br \/>\nEu amo o Longe e a Miragem,<br \/>\nAmo os abismos, as torrentes, os desertos&#8230;<\/p>\n<p>Ide! Tendes estradas,<br \/>\nTendes jardins, tendes canteiros,<br \/>\nTendes p\u00e1tria, tendes tetos,<br \/>\nE tendes regras, e tratados, e fil\u00f3sofos, e s\u00e1bios&#8230;<br \/>\nEu tenho a minha Loucura !<br \/>\nLevanto-a, como um facho, a arder na noite escura,<br \/>\nE sinto espuma, e sangue, e c\u00e2nticos nos l\u00e1bios&#8230;<br \/>\nDeus e o Diabo \u00e9 que guiam, mais ningu\u00e9m!<br \/>\nTodos tiveram pai, todos tiveram m\u00e3e;<br \/>\nMas eu, que nunca principio nem acabo,<br \/>\nNasci do amor que h\u00e1 entre Deus e o Diabo.<\/p>\n<p>Ah, que ningu\u00e9m me d\u00ea piedosas inten\u00e7\u00f5es,<br \/>\nNingu\u00e9m me pe\u00e7a defini\u00e7\u00f5es!<br \/>\nNingu\u00e9m me diga: &#8220;vem por aqui&#8221;!<br \/>\nA minha vida \u00e9 um vendaval que se soltou,<br \/>\n\u00c9 uma onda que se alevantou,<br \/>\n\u00c9 um \u00e1tomo a mais que se animou&#8230;<br \/>\nN\u00e3o sei por onde vou,<br \/>\nN\u00e3o sei para onde vou<br \/>\nSei que n\u00e3o vou por a\u00ed!<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>C\u00e2ntico negro, de Jos\u00e9 R\u00e9gio, por Jo\u00e3o Villaret no S. 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