prendas especiais
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Uma prenda deve permanecer, durar um pouco mais. Uma prenda deve fazer a diferença. Uma prenda deve ser isto e aquilo, toda a gente sabe. Por tudo isso deixei de ir às compras na maior parte dos aniversários e, por tudo isso, há anos, tomei a decisão de oferecer livros, só livros, nada mais que livros. Por tudo isso e por uma questão de comodidade. Faz anos? Vai um livro… pouco depois, numa adenda que não consigo encontrar nos posts anteriores, decidi que só iria oferecer livros que já tivesse lido e que, paralelamente, por uma questão de respeito, iria ler todos os livros que me oferecessem. Se há poucas resoluções de que me orgulho de ter mantido, esta não é uma delas.
Neste momento, estou a ler uns vinte livros. Alguns são livros que comprei, outros são livros que me ofereceram, mas todos comecei a ler com o intuito de acabar. Se há intenção que conta é esta. Os livros têm a sua altura para serem lidos. Ninguém quer ler a Odisseia de Homero aos 14 anos. Eu sei que nem todos a querem ler aos 30. Tenta-se de novo aos 40. Além disso os livros precisam de ser mastigados, aos poucos, devagar, e depois digeridos. Há frases que leio e que me provocam tal azia quem nem 10 caixas de rennie conseguem resolver. De alguns livros é o título da capa, mas, são poucos. Acontece que, por tudo isto e mais algumas coisas, tenho-me visto forçado a oferecer livros que não li e isso custa-me. O livro tem de fazer sentido, tem de haver algo, uma linha que seja, um rumo, uma luz, uma estrela, por muito cadente que seja. E eu tenho de saber, mesmo que seja só eu a vê-la desaparecer sempre rápido demais.