Dormir pouco tem uma grande vantagem: faz-nos viver mais tempo acordados. Diria até que nos faz viver mais tempo pois, embora importante, o sono não deixa de se resumir a um estado vegetativo. Mas importante. A partir de determinada altura o tempo que passamos acordados já nos faz mais mal que bem. Precisamos de dormir.
Nestes últimos dias tenho dormido pouco. Já não sei quem disse o quê, ou quando disse, quem foi onde, ou quando foi, quem vai onde, ou quando vai e nem sei bem onde eu próprio estou, ou quando estou. Vou fazendo aquilo que sei, como se não soubesse fazer mais nada, de olhos fechados, tentando acompanhar o tempo que me persegue
Por isso penso naquilo que sonhei, sonho naquilo que penso sem saber se sonhei o que pensei ou se pensei o que sonhei.
Acordo sozinho numa desnudada planície alentejana que ainda ontem era uma delicada selva amazónica.

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Li hoje quase duas páginas
Do livro dum poeta místico,
E rí como quem tem chorado muito.
Os poetas místicos são filósofos doentes,
E os filósofos são homens doidos.
Porque os poetas místicos dizem que as flores sentem
E dizem que as pedras têm alma
E que os rios têm êxtases ao luar.
Mas as flores se sentissem, não eram flores,
Eram gente;
E se as pedras tivessem alma, eram coisas vivas, [não eram pedras;
E se os rios tivessem êxtases ao luar,
Os rios seriam homens doentes.
É preciso não saber o que são flores e pedras e rios
Para falar dos sentimentos deles.
Falar da alma das pedras, das flores, dos rios,
É falar de sí próprio e dos seus falsos pensamentos.
Graças a Deus que as pedras são só pedras,
E que os rios não são senão rios,
E que as flores são apenas flores.
Por mim, escrevo a prosa dos meus versos
E fico contente,
Porque sei que compreendo a Natureza por fora;
E não a compreendo por dentro
Porque a Natureza não tem dentro;
Senão não era a Natureza.
Alberto Caeiro
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Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
(…)
Robert Frost (1874–1963). Mountain Interval. 1920.
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Se um dia, por alguma razão, entrar em estado vegetativo desliguem a máquina!
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Quantos mortos tu deixaste abandonados ao tempo
sem que deles te lembrasses ao chegar o firmamento
quando corpos abandonaste
quantas balas enviaste sem destino e sem razão
apontado a ninguém, nem ao seu coração
quantas vezes tu fugiste
quantas armas atiraste ao chão
quantas vidas atiraste ao ar
quantos passos deste em vão
até a guerra acabar
quantos sonhos destruíste
numa terra sem razão
quantas vezes tu fugiste
dessa mesma prisão
quantos dias vais viver
sem te conseguires livrar
desse tempo monstruoso em que te deixaste apanhar
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You can dance
Every dance with the guy who gives you the eye
Let him hold you tight
You can smile
Every smile for the guy who’d like to treat you right
‘Neath the pale moonlight
But don’t forget who’s takin you home
And in who’s arms you’re gonna be
Oh, darlin’ save the last dance for me
The Drifters – Save the Last Dance for Me
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Tragam silvos de dor
que arrastem esta vida
amargurada pelo torpor
de uma razão escondida
Criem laivos de cor
Que adornem a corrida
que faz com o fulgor
de uma guerra vencida
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Há dias que durmo de persiana fechada. Há dias que durmo, sempre de noite, todo o dia, de persiana fechada. Hoje comecei a gretar um pouco a persiana e a deixar a luz entrar…
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Foi um grande jogo. A lotaria das grandes penalidades ditou o Benfica como vencedor. Para trás ficou um dos melhores jogos da época. Este foi o primeiro do Benfica.
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“O DANTAS EM GENIO NEM CHEGA A POLVORA SECCA E EM TALENTO É PIM-PAM-PUM !
O DANTAS NÚ É HORROSOSO !
O DANTAS CHEIRA MAL DA BOCCA !”
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