Desejo-te.
Desejo-te quando não te vejo e procuro-te de olhos fechados. Não preciso de os abrir para chegar até ti. A estrada que nos une já a percorri demasiadas vezes para conseguir fazê-la de olhos fechados. Em sonhos.
Não sei de que forma poderei ser teu. Quero ser de alguém. Não ser de mais ninguém, senão meu.
Talvez não tenhas de existir. Em mim.
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Enquanto não me decido pelo kanguru ou pelo Vodafone Mobile Connect os hotspots da pt wi-fi vão dando jeito. É como me sinto. Sem fios que me prendam.
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Há calinadas na língua portuguesa que me fazem dor de cabeça. Outras dão-me vontade de rir. Mas houverem algumas com que, de tanto rir, fico com dor de cabeça. Estas são as melhores.
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Traz-me silêncios
que não me deixem dormir
e cheiros que não me
permitam distinguir
onde começas ou acabas
Não te quero ver o fim
Dá-me a paz
de uma guerra anunciada
Armas que não me
matem
Dá-me tudo
Das-me o teu corpo
nu
Nada
Da-me um abraço
Um cheiro que não me diga
se sou eu
se és tu
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Já com os resultados online e apurados em quase todos os concelhos faço uma ronda muito rápida por alguns pontos de interesse:
– Estive na campanha com o Filipe e com o Nuno. Não fiz estragos de maior. Maioria absolutíssima. Parabéns!
– Maioria absoluta também em Almada.
– Em Sesimbra 102 votos deram a vitória.
Daqui a quatro anos há mais.

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Está aí a chuva.
Eu também escrevo enquanto chove lá fora no momento em que, segundo a sic, uma tempestade tropical se dirige para Portugal.
Outros ventos.
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Começou a chover.
Baixo o som da televisão para me poder sentir molhado dentro destas quatro paredes e com um tecto para me proteger. Não quero ir para a rua. Não é pelo tempo agreste, mas o aconchego de casa contrasta com o frio que a chuva traz ao cair na rua. Um frio que não existe, mas que procuro.
Arrepio-me.
Oiço cada gota cair na memória do nosso tempo.
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É cansativa a campanha. Todos os dias, de manhã à noite, a correr o concelho, a correr Portugal. O único consolo devem ser os quatro anos de descanso que têm pela frente.
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– Não ia aguentar saber dela na cama com outro.
Enquanto bebemos um copo e falamos de gajas, das gajas, deixas cair na mesa a minha maior verdade: não quero saber. Acabamos por sentir o mesmo, pelo mesmo, mas não pela mesma. Estamos dispostos a viver, tudo igual, sem condições, desde que o caminho não nos leve ao mesmo lugar, desde que o lugar não nos leve ao caminho. Essa estrada já não me trespassa o coração.
Por isso tudo está bem. Somos amigos. Conversamos. Almoçamos ou jantamos. Podemos fazer tudo. Só não quero saber se estiveres na cama com outro. Todas as verdades que construiram a nossa relação devem fundir-se na maior mentira de todas: depois de mim, mais ninguém.
Pela parte que me toca
se não souber
não aconteceu.
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Há boas razões para comprar o Público à sexta-feira. O Inimigo Público vale sempre a pena, mas, hoje, o Suplemento Y traz o último herói americano na capa.

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Caro Adepto:
Obrigado por ter adquirido bilhetes para o jogo Portugal/Liechtenstein “A”.

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– Hi, nice to meet you.
– Hello! … I know you!
(Não me parece. Já deves ter bebido uns copos no avião. Nunca te vi na vida.)
– I don’t think so…
60 minutos e duas cervejas depois…
– Tiago, weren’t you in Azores?
– glup
– Weren’t you with Camilla? There was the food under the ground and … bla bla
E de repente percebo que muito da minha vida me passa ao lado. Estive nos açores. Estive com ela. Estive nas Furnas. Estive, mas devo ter estado numa realidade paralela. Estive, inclusivamente, a trabalhar com ela e continuo sem a conseguir colocar nos Açores enquanto ela diz coisas como:
– You haven’t changed a bit.
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