Com chuva e frio ninguém foi para a praia. Só espero que não tenham ido para o aconchego da minha repartição de finanças. Até em dias de frio dá para transpirar. É para lá que me dirijo e não me está nada a apetecer passar lá o dia. Nada.
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Não podes sentir saudades. Não tens esse direito. Queres contar-me tudo! Não podes. Eu não quero saber nada. Só te quero, toda, como sempre quis. Por isso, voltas.
Aceitei a perda.
Não te perdi. Simplesmente, não te esqueci. que é como quem diz, tentei esquecer-te, mas não consegui. Mas vivo com isso. Tornaste-te numa doença crónica. Aprendi a viver com isso.
Vivo com um pouco do meu veneno.
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Voltaste! Ainda não sofri o suficiente, por isso, voltas. Drama? Não é drama, porque a vida nunca parou. Eu segui em frente, embora não tenha encontrado outra alma gémea. Acho que, mesmo que me tenha cruzado com ela, nunca teria tido tempo de a saber como tal. Por isso não é drama, é simplesmente uma carta de amor. Esta é a minha carta de amor e tu sabes bem que
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
[Fernando Pessoa]
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A Pérola e o Granito resolveram pegar num blogue para fazer negócio.
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Novamente. Aconteceu-me o mesmo. Desta vez não choro. Estou triste, tenho de estar, mas nada me afectou tanto. E, diria, estou ainda mais apaixonado que da primeira vez. Já não és a mesma, não és, já não és tu, é outra, mas não choro e estou mais apaixonado. Talvez a primeira constipação me tenha protegido de alguns dos sintomas. Talvez me proteja.
Como vive alguém protegido do amor? Como vive alguém imune aos males da paixão?
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Da primeira vez não sabia bem o que me tinha acontecido, ou melhor, sabia bem o que me tinha acontecido. Não era normal estar sentado em frente da televisão, as noticias do costume, e começar a chorar. Chorava. Aceitei a tristeza como uma leve constipação e pensei: “passa”. Nunca sequer considerei a hipótese de me medicar para algo tão banal, tão vulgar. Mas estava adoentado. Chegava a casa, depois de uma saída com os amigos, já com uns copos, e ensaiava um mail, algo que pudesse fazer chegar até ti o que me revolvia por dentro. Chorava. Começava a chorar na primeira frase e não chegava a terminar o primeiro parágrafo. Nenhuma dessas mensagens alguma vez te chegou as mãos. Depois, tal como uma leve constipação, passou. Integrei-te em mim, noutra forma, mas em pleno. Consumi-te. Somos amigos. Passaste a fazer parte de mim, do meu outro, mas a vida não acabou em ti.
O tempo continua a mudar a cada estação do ano e todos os anos me constipo.
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encontrámo-nos
as estradas são as mesmas
os cheiros, os teus,
não mudaram
mas nessas estradas ermas
os cheiros, os meus,
não ficaram
trouxe tudo comigo
não te deixo nada
nunca.
nunca hoje.
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Hoje encontrámo-nos. Não me recordo do último dia em que tínhamos estado juntos. Talvez chegue a altura em que poderei explicar como tudo aconteceu, mas talvez nunca chegue o dia em que o queira fazer. Nunca acabámos, mas fomos acabando até deixarmos de existir. Hoje voltámos a estar juntos.
Estacionámos o carro no nosso parque, à nossa hora e também fomos ao nosso restaurante. Depois, voltámos a ficar no carro a conversar, como tantas vezes fizemos. Trocámos um beijo envergonhado. Um único. Para os restantes já não houve tempo para cerimónias. Já nos vimos nus. Não há espaço para cerimónias. Foi muito bom. Foi óptimo sentir-te o corpo. Foi melhor sentir-te perto de mim.
O pior é saber que este é um jogo que não vamos conseguir ganhar.
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às vezes pergunto-me para onde foste
continuo a ver-te, mas não sei onde estás
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Também lá estava o Jorge Gabriel, mas, claramente, ofuscado.
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Aqui foi o almoço do fim de semana. Vale sempre a pena. Mesmo com chuva e a comer na esplanada. A foto é para ti. Para as saudades.
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