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Anna Kournikova
de um lado para o outro

D E I X A

M E

D O R M I R

beijos
mais beijos
já percebi que não estás
gosto de ti e tenho saudades tuas

talvez

jogar para perder
mas
vender cara a derrota

france

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um modo especial de conduzir
Outrun

(…)

dúvida (18)

quando todos se
encontram
quem é que se vê
?

(…)

estou a tentar escrever qualquer coisa, mas não sai
fui apanhado de surpresa, mas, pela primeira vez, senti, verdadeiramente, que vale a pena

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia

Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram

Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto

Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!

José Carlos Ary dos Santos

Adenda: A ouvir na voz de Carlos do Carmo

Tenho que todo o fruto proibido, qualquer que ele seja, funciona como uma droga.
Tem os seus momentos de euforia, mas, inevitavelmente, nos fará arrastar a alma pelo chão.

Até deixar de ser proibido. Até nos livrarmos dele.

Normalmente acontecem as duas coisas uma a seguir a outra. Livramo-nos dele depois de deixar de ser proibido.

Não foi o primeiro, Tudo bem?, olha a volta e não vê mais pessoas, Já chegou mais alguém?, não, claro que não, começam a chegar, que tens feito?, O costume, faz sempre o costume, Trabalho, vou agora de férias, Olha o I, olham os dois para a porta, o I, que não se chama I, mas que I ficou, IIIII!, o I vem, Então, tudo bom?, não se lembram da última vez que se viram, Há quanto tempo, que tens feito?, o costume, sempre o costume nestes encontros, fala-se pouco de tudo e prefere-se falar muito de nada, hoje joga o porto contra o Benfica, Quinze a zero, grita-se lá do fundo, Quinje a jero, há sempre quem responda, responde sempre mais alto, já não se consegue conversar calmamente e grupos de quatro ou cinco juntam-se, Então, que tens feito?, Onde vais ver o jogo, Onde foste buscar o Martini, está o empregado a perguntar quem quer, anda sempre por aí, quantos mais servir, melhor, Vamos para a mesa, alguém tira o som do telemóvel, há sempre alguém que tira o som do telemóvel, mas deixa-o em cima da mesa, mesmo junto ao copo, pode sempre tocar, Que vais comer, não sei que coma, o costume, talvez.

[ao estilo de Rodrigo Guedes de Carvalho, A Casa Quieta]

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