
Se eu morrer, sobrevive-me com tanta força pura
que despertes a fúria do pálido e do frio,
de sul a sul levanta teus olhos indeléveis,
de sol a sol que soe tua boa de guitarra.
Não quero que vacilem teu riso nem teus passos,
não quero que agonize minha herança de alegria,
não chames o meu peito, estou ausente.
Na minha ausência vive como numa casa.
É uma casa tão espaçosa a ausência
que através das paredes passarás
e no espaço suspenderás os quadros.
É uma casa tão transparente a ausência
que eu, já sem vida, te verei viver
e se sofres, amor, morrerei novamente.
——–
Si muero sobrevíveme con tanta fuerza pura
que despiertes la furia del pálido y del frío,
de sur a sur levanta tus ojos indelebles,
de sol a sol que suene tu boca de guitarra.
No quiero que vacilen tu risa ni tus pasos,
no quiero que se muera mi herencia de alegría,
no llames a mi pecho, estoy ausente.
Vive en mi ausencia como en una casa.
Es una casa tan grande la ausencia
que pasaras en ella a través de los muros
y colgaras los cuadros en el aire.
Es una casa tan transparente la ausencia
que yo sin vida te veré vivir
y si sufres, mi amor, me moriré otra vez!
Pablo Neruda
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importas-te de ficar com um esboço
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Hoje observei todo o trajecto da viatura que, pelas 11h00, depois de uma guinada à esquerda parou com o capô enfiado no separador central da avenida da ponte.
O preciso momento em que o carro embate
dói sempre
mesmo com os outros.
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não sei
se acerto em tudo o que vejo
se é certo tudo o que vejo
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(…)
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: “vem por aqui”!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou…
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
– Sei que não vou por aí!
José Régio
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Mas adoro ir ao teu blog… gosto de ler o q passa pela cabeça em cada um dos dias… e leio alto para a Maria te ir conhecendo!!!!!!!!!
Nota: A Maria só sabe chorar, comer e dormir. Não tem idade para mais.
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Chegámos hoje de manhã e não fomos bem recebidos, porque não havia ninguém na praia a não ser montes de tipos mortos ou montes de pedaços de tipos, de tanques e de camiões destruídos. Surgiam balas um pouco por todo o lado e uma desordem destas não me dá gozo nenhum. Saltámos para a água, mas era mais profunda do que parecia e escorreguei numa lata de conservas. O rapaz que estava mesmo atrás de mim ficou com três quartos da cara arrancados por uma bala e eu guardei a lata de conservas como recordação. Meti os bocados da cara dele no meu capacete e entreguei-lhos. Ele foi à procura de quem o tratasse, mas parece ter tomado pelo caminho errado porque entrou na água até ficar sem pé e não creio que veja o suficiente lá no fundo para não se perder.
Corri depois na direcção certa e cheguei mesmo a tempo de levar com uma perna em cheio na cara. Tentei descompor o tipo, mas a minha não tinha deixado senão bocados dele com que não era fácil lidar, por isso ignorei-lhe o gesto e continuei.
Boris Vian
2 comentários »
On se rappelle beaucoup mieux les bons moments; alors, à quoi servent les mauvais?
Boris Vian
1 comentário »
adormecer a ler Boris Vian pode ser prejudicial para a saúde
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