Conheci Jethro Tull no carro do meu pai. Numa longa viagem por Portugal, irmão ao lado, deu para apanhar as manhas ao autorádio e saber, mesmo no shuffle, qual o cd que ia tocar a seguir e quando iria ser double shot*. Hoje agradeço a seca. Fomos cilindrados com Jethro Tull. Depois disso, já com idade para votar e fã da sonoridade da banda, fomos, os três, ao concerto no Pavilhão Atlântico. Júlio Machado Vaz diz, a propósito de um outro concento de Jethro Tull, que
as peregrinações familiares, para serem perfeitas, exigem a presença dos três!
Talvez isto não seja a propósito de um concerto de Jethro Tull. Seja o que for, sempre encontrei uma nesga de perfeição nas músicas de Jethro Tull. Longe de, com os meus trinta anos, me fazerem reviver saudosos dias da adolescência, Jethro Tull faz-me sonhar com tempos que hão-de vir. É outra perfeição.
Too Old to Rock ‘n’ Roll: Too Young to Die**
The old Rocker wore his hair too long,
wore his trouser cuffs too tight.
Unfashionable to the end — drank his ale too light.
Death’s head belt buckle — yesterday’s dreams —
the transport caf’ prophet of doom.
Ringing no change in his double-sewn seams
in his post-war-babe gloom.
Now he’s too old to Rock’n’Roll but he’s too young to die.
* da Super FM, rádio de outros tempos
** Do album “A Little Light Music”. A versão de estúdio continua e termina de forma diferente No, you’re never too old to Rock’n’Roll if you’re too young to die.
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Hoje é dia de ASL.
(são dela as melhores crónicas dos jornais portugueses. Da Vanessa.)
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A minha mulher ideal está nesta letra de Lorenz Hart.
She gets too hungry, for dinner at eight
She loves the theater, but doesn’t come late
She’d never bother, with people she’d hate
That’s why the lady is a tramp
Doesn’t like crap games, with barons and earls
Won’t go to harlem, in ermine and pearls
Won’t dish the dirt, with the rest of those girls
That’s why the lady is a tramp
She loves the free, fresh wind in her hair
Life without care
She’s broke, but it’s o’k
She hates california, it’s cold and it’s damp
That’s why the lady is a tramp
Doesn’t like dice games, with sharpies and frauds
Won’t go to harlem, in lincolns or fords
Won’t dish the dirt, with the rest of those broads
That’s why the lady is a tramp
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O Fernando também quer escrever um livro.
Diz que descobriu o segredo.
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São várias as razões que me levam a pensar que nunca serei escritor. A primeira razão, mas talvez a menos importante nestas coisas de lançar um livro para o mercado, é a minha escrita se situar na fronteira entre o medíocre e o sofrivel. A segunda razão, e esta sim, fundamental, prende-se com o facto de eu começar os livros pelo fim e acabá-los sem chegar ao início. É como se não chegassem a ver a luz do dia. E não chegam. Mote, enredo e um título é quanto baste para o meu projecto de livro ter início, meio e fim.
O meu primeiro livro surgiu depois de ter assistido ao suícidio de alguém. Mote dado. A diferença entre “assistir ao suicídio” e “assistir o suicídio” pode parecer de gigante, mas, no momento, esbate-se à velocidade a que a vida se esvai. Assistimos. Mais nada. Neste romance, a personagem principal, Tiago, 100% fictícia, fica obcecado pela vida de quem se matou. Depois desse encontro furtuito no tabuleiro da ponte 25 de Abril a aventura segue para o funeral do sujeito, do indivíduo, do suicida. A partir daí desenrola-se a trama e o drama dos outros. Porque, na vida, o drama é sempre dos outros. Porque, na realidade, o drama é sempre nosso. O título: à procura de nada.
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George Steiner,
Gostaria de ser recordado – por pouco que perdure nas memórias – como um mestre de leitura, como alguém que passou a vida a ler com os outros.
Depois de ler a Ideia de Europa comprei, este sábado, as quatro entrevistas que deu a Ramin Jahanbegloo. É difícil resistir-lhe.
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Rodrigo Guedes de Carvalho diz que não percebe a existência de cursos de escrita criativa. Como se pode ensinar alguém a escrever?, perguntava. Eu desisti de aprender. Mentira. Só nunca participei em nenhum curso. Seja possível, ou não, aprender a escrever, o mais importante é saber ler, seja o mundo, seja a vida.
Talvez, um pouco, como as relações…
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Rodrigo Guedes de Carvalho diz que para escrever um livro é preciso sentarmo-nos à frente do computador, de forma sistemática, e escrever. Há dias em que se escreve um parágrafo. Há dias em que se escrevem várias páginas. Senti, nas palavras dele, que é necessário que seja uma obrigação, por muito prazer que dê.
Talvez, um pouco, como as relações…
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Sr. Agente: Boa noite
Bloguista: Boa noite Sr. Agente.
Sr. Agente: (imperceptível) … documentos.
Bloguista: Hmmm… pois. Não vai ser fácil. – digo-lhe com um sorriso nos lábios ao mesmo tempo em que abro o porta luvas. Os documentos do carro estão lá. Desses documentos eu sei. – Aqui estão os do carro. Os meus… deixe-me ir ver ao porta bagagens.
Nesta altura já eu sabia que não ia ser fácil. A única dúvida era se seria impossível. Cinco minutos a procurar no porta bagagens e encontro o passaporte. Mais cinco minutos…
Sr. Agente: Posso ir passar o auto de (imperceptível) apresentar documentos (imperceptível) oito dias?
Bloguista: Por mim…
Sr. Agente: São 30 euros
Bloguista: 30 euros?!?! Espere aí… a carta de condução tem de estar por aqui!
Sr. Agente: Já estamos aqui há uns 15 minutos
Bloguista: Sr. Agente, eu não tenho pressa…
Sr. Agente: Tenho eu. Há mais carros para… (imperceptível)
Bloguista: Mas a sua pressa não me dá multa, pois não? (sorriso)
Sr. Agente: (…)
Bloguista: Deixe lá ver só mais um bocado…(sorriso)
Até hoje a polícia mandou-me parar três vezes. Na sexta feira passada, depois de cinco horas de curso de vinhos e de uma imperial no lounge, foi a terceira.
Sr. Agente: Bebeu alguma coisa?
Bloguista: Pois… mas foi pouco. (sorriso)
Sr. Agente: (sorriso… foleiro) Vamos lá ver isso…
Sempre que a polícia me mandou parar, e fiz o teste do álcool, fui multado. Na primeira vez porque tinha um médio fundido. Na sexta-feira porque me esqueci da carta de condução em casa. Agradeci, sempre, a multa.
Bloguista: Obrigado e boa noite. Até para a semana.
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Por vezes a verdade é a pior mentira. Não que não seja verdade, mas é tão inverosímil que passa por mentira.
É que ontem aconteceu isto assim assim de maneiras que fiquei sem telemóvel. Ninguém, com um mínimo de bom senso, viria aqui escrever que o seu cão tinha agarrado no telemóvel como se fosse mais uma bola de ténis… mas menos resistente. Não. Simplesmente aconteceu isto assim assim… e fiquei sem telemóvel.
(E o melhor é ver o filme. É que, passa-se isto assim assim de maneiras que usurpei as palavras deles.)
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