Feed on
Posts
Comments

Arquivos da categoria 'Tiago Pinhal'

Fui Pai

Fui Pai
Não por ti mas fui
Por mim pai

Fui ontem
Enquanto comia ou dormia
Fui pai

Fui embora
Sem saber o que fazia
E voltei

Já não estou
Já não sou.

Dor

Não queiras saber por mim
A história daquele dia
Em que me encontraste assim
Ferido que quase morria

São feridas que não têm cura
Em corpo que já não sente
Chagas que aceito com a brandura
de uma dor indiferente

Quantos mortos tu deixaste abandonados ao tempo
sem que deles te lembrasses ao chegar o firmamento

quando corpos abandonaste

quantas balas enviaste sem destino e sem razão
apontado a ninguém, nem ao seu coração

quantas vezes tu fugiste

quantas armas atiraste ao chão
quantas vidas atiraste ao ar
quantos passos deste em vão
até a guerra acabar

quantos sonhos destruíste
numa terra sem razão
quantas vezes tu fugiste
dessa mesma prisão

quantos dias vais viver
sem te conseguires livrar
desse tempo monstruoso em que te deixaste apanhar

Poema

Tragam silvos de dor
que arrastem esta vida
amargurada pelo torpor
de uma razão escondida

Criem laivos de cor
Que adornem a corrida
que faz com o fulgor
de uma guerra vencida

Regresso

Caminho em estradas repetidas
Vezes sem conta, dias sem fim
Caminho e em cada uma destas corridas
Procuro-te, um pouco, dentro de mim.

Paro, às vezes, e respiro fundo.
Cansa-me fugir deste frenesim.
Paro sempre no mesmo mundo,
Aonde chego de onde vim.

Pardal

Não te tento perceber
Quando pousas no parapeito.
Virás tu para me ver?
Ou vais saltanto a eito?

Nem sempre pousas sozinho
Quando vens ao parapeito.
Perguntas-me, eu adivinho,
se o amor é perfeito.

Estrelas

Como são tristes as estrelas
que nos separam no deserto.
Como são tristes, mas belas
Quando as vejo mais de perto.

Preciso de tempo para dormir!
Compro-o a quem conseguir
esperar pelo tempo que há-de vir.

« Prev