Cien Sonetos de Amor
Tags:

Se eu morrer, sobrevive-me com tanta força pura
que despertes a fúria do pálido e do frio,
de sul a sul levanta teus olhos indeléveis,
de sol a sol que soe tua boa de guitarra.
Não quero que vacilem teu riso nem teus passos,
não quero que agonize minha herança de alegria,
não chames o meu peito, estou ausente.
Na minha ausência vive como numa casa.
É uma casa tão espaçosa a ausência
que através das paredes passarás
e no espaço suspenderás os quadros.
É uma casa tão transparente a ausência
que eu, já sem vida, te verei viver
e se sofres, amor, morrerei novamente.
——–
Si muero sobrevíveme con tanta fuerza pura
que despiertes la furia del pálido y del frío,
de sur a sur levanta tus ojos indelebles,
de sol a sol que suene tu boca de guitarra.
No quiero que vacilen tu risa ni tus pasos,
no quiero que se muera mi herencia de alegría,
no llames a mi pecho, estoy ausente.
Vive en mi ausencia como en una casa.
Es una casa tan grande la ausencia
que pasaras en ella a través de los muros
y colgaras los cuadros en el aire.
Es una casa tan transparente la ausencia
que yo sin vida te veré vivir
y si sufres, mi amor, me moriré otra vez!
Pablo Neruda
É simplesmente lindo..
é um poema de amor. amor por todos. um poema a propósito. de propósito. um recado porque há muito deixei de escrever para mim.
“Antídoto”
“Como o sangue, corremos dentro dos corpos no momento em que abismos os puxam e devoram. Atravessamos cada ramo das árvores interiores que crescem do peito e se estendem pelos braços, pelas pernas, pelos olhares. As raízes agarram-se ao coração e nós cobrimos cada dedo fino dessas raízes que se fecham e apertam e esmagam essa pedra de fogo. Como sangue, somos lágrimas. Como sangue, existimos dentro dos gestos. As palavras são, tantas vezes, feitas daquilo que significamos. E somos o vento, os caminhos do vento sobre os rostos. O vento dentro da escuridão como o único objecto que pode ser tocado. Debaixo da pele, envolvemos as memórias, as ideias, a esperança e o desencanto.”
continua..
Obrigada.
e Neruda diz sempre tudo. ponto.