No início da semana tive de esperar uma hora até que alguém chegasse com a chave do escritório. Nunca é grave.
Gosto da minha própria companhia. Peguei em dois livros que tinha no banco de trás do carro e estacionei num café que abriu com nova gerência. Nova e jeitosa, por sinal.
Já depois de pagar, enquanto virava as costas, a nova gerência chama-me e:
– Desculpe, posso fazer-lhe uma pergunta indiscreta?
As minhas pernas não deveriam ter tremido tanto em pleno terramoto de 1755. Mantive-me tão firme quanto consegui, disse-lhe que sim, respondi e, desde então, tenho lá ido tomar café pela manhã. Gosto de ler os jornais com calma e a nova gerência tem sempre o DN e A Bola. Só por isso.
Hoje cheguei, olhei a capa d’A Bola, li a capa do DN e sentei-me com o suplemento relativo ao terramoto de 1755. Nova gerência:
– Tenho aqui a National Geaographic deste mês que tem uma reportagem sobre o terramoto. Quer ver?
Se fosse sismólogo, o que aconteceu a seguir poderia ser descrito como uma réplica.
és uma actriz famosa como as outras