Um mau beijo consegue ser pior que um mau vinho.
Um mau vinho pode sempre ser utilizado para fazer uma má boa sangria e a sangria, por muito má que seja, tem sempre clientes.
Um mau beijo é difícil ser reciclado.
Um mau beijo consegue ser pior que um mau vinho.
Um mau vinho pode sempre ser utilizado para fazer uma má boa sangria e a sangria, por muito má que seja, tem sempre clientes.
Um mau beijo é difícil ser reciclado.
nos vinhos há tempo para colheitas tardias
nas relações é sempre tarde demais
Sr. Agente: Boa noite
Bloguista: Boa noite Sr. Agente.
Sr. Agente: (imperceptível) … documentos.
Bloguista: Hmmm… pois. Não vai ser fácil. – digo-lhe com um sorriso nos lábios ao mesmo tempo em que abro o porta luvas. Os documentos do carro estão lá. Desses documentos eu sei. – Aqui estão os do carro. Os meus… deixe-me ir ver ao porta bagagens.
Nesta altura já eu sabia que não ia ser fácil. A única dúvida era se seria impossível. Cinco minutos a procurar no porta bagagens e encontro o passaporte. Mais cinco minutos…
Sr. Agente: Posso ir passar o auto de (imperceptível) apresentar documentos (imperceptível) oito dias?
Bloguista: Por mim…
Sr. Agente: São 30 euros
Bloguista: 30 euros?!?! Espere aí… a carta de condução tem de estar por aqui!
Sr. Agente: Já estamos aqui há uns 15 minutos
Bloguista: Sr. Agente, eu não tenho pressa…
Sr. Agente: Tenho eu. Há mais carros para… (imperceptível)
Bloguista: Mas a sua pressa não me dá multa, pois não? (sorriso)
Sr. Agente: (…)
Bloguista: Deixe lá ver só mais um bocado…(sorriso)
Até hoje a polícia mandou-me parar três vezes. Na sexta feira passada, depois de cinco horas de curso de vinhos e de uma imperial no lounge, foi a terceira.
Sr. Agente: Bebeu alguma coisa?
Bloguista: Pois… mas foi pouco. (sorriso)
Sr. Agente: (sorriso… foleiro) Vamos lá ver isso…
Sempre que a polícia me mandou parar, e fiz o teste do álcool, fui multado. Na primeira vez porque tinha um médio fundido. Na sexta-feira porque me esqueci da carta de condução em casa. Agradeci, sempre, a multa.
Bloguista: Obrigado e boa noite. Até para a semana.
Acordo. Enquanto espero a força necessária para me arrastar até ao banho, descubro A Ideia de Europa de George Steiner. Decido começar pelo fim. O mesmo será dizer que começo por ler George Steiner. Não fui ao debate, mas o livro chegou-me às mãos e não foi pelo prefácio. Começo pelo fim e
Passo a manhã no café. No Flore, por exemplo, ali mesmo ao lado do Deux Magots. Por lá, num dos dois, onde quer que estejamos, ainda se vive um pouco de Sartre, Hemingway, Simone de Beauvoir ou Camus. Steiner escreve que
A Europa é feita de cafetarias, de cafés. Estes vão da cafetaria preferida de Pessoa, em Lisboa, aos cafés de Odessa frequentados pelos gangsters de Isaac Babel. Vão dos cafés de Copenhaga, onde Kierkegaard passava nos seus passeios concentrados, aos balcões de Palermo.
Há uma semana estava no Flore. Hoje regressei. Quando fui a Paris levei esse objectivo. Sem ter lido Steiner tinha o desejo simples de passar uma tarde sentado na esplanada de um qualquer café do Quartier Latin. Ou perto. Estive quase a regressar sem o objectivo cumprido. Percebi que não tinha destino.
vai ao café flore, disse-me a Sissi. o albert cossery, escritor que venero, vive lá perto. Pois deve viver. Ia jurar que nos cruzámos no Flore. Parece que o ouvi dizer
Disse mais. Não consta que tenha um blogue.
Bebo mais um copo de vinho enquanto procuro os olhos de quem passa. Hoje janto no Ângelus.
Depois de ontem, hoje, depois de a SIC ter passado por Marrocos, algures no Bairro Alto, a RTP traz-me uma vila de amêijoas, em Olhão, Ria Formosa. Ao mesmo tempo dou mais um trago, (de) um só trago, no Planalto, vinho branco seco do Douro que acompanha o jantar, Tartiflette, que cozinhei, só, para mim. Estou sozinho. Hoje não preciso de mais.
Pois, aquilo ontem acabou um bocado mais tarde. Para mim ainda não acabou.
Continuo a ouvir a música barroca tocada pela Inês, no Violoncelo do séx. XVIII, mas já não há azeitonas.
O Champagne há muito que foi, mas ainda sinto o cheiro a animal do Châteauneuf du Pape. Surpreendeu-me mais a mim, é verdade.
Para a próxima terminamos com o Saint-Aubin de 2003.
e em Junho, debaixo do calcário branco, nas cavez de giz, para nos voltarmos a perder nas imperfeições do copo… dos copos… dos quinze…
Bebi em 2001, no dia do Pai, no dia do meu pai, em Novembro, um Barca Velha de 1985. Era uma garrafa com história que tinha sido comprada ainda eu não tinha 18 anos. Naquele dia foi à vida. Assim, sem mais histórias. Do vinho ficaram umas fotos e a sua história só a recordo quando ainda a garrafa estava fechada. Se fosse hoje seria diferente. Hoje a história de um vinho escreve-se enquanto se bebe. Porque a história de um vinho, mesmo a anterior a nós, só existe nos aromas que sentimos e nas sensações que nos provoca. A história do vinho confunde-se com a nossa.
Já chega. Vai surgir um novo Barca Velha e está na hora de cobrar a garrafa que me deves…
Difícil é passar em Azeitão e não parar. Difícil e, permitam-me, inconcebível.
O curso de vinho e vinhas começa sempre com uns quantos frascos de cheiros a nossa frente. O objectivo é reconhecê-los. Ora, para um nariz habituado a distinguir a delicada diferença entre um coirato e uma entremeada bem passada, nada parece difícil, muito mesmo impossível, neste campo. Apresento já algumas vitórias no meu currículo.
Por exemplo, quando me dão a cheirar amora, framboesa ou morango acerto sempre, nem sempre em cheio, mas sempre ali por perto. Nessas alturas digo sempre que “ou é amora, framboesa ou morango”. “Não há que enganar”, gosto de acrescentar. Às vezes é groselha, mas… raramente.
O mais difícil é com cheiros que não temos cheiramos todos os dias. Cheiro a cavalo, por exemplo. Se me aparece o cheiro a cavalo tenho mais dificuldade em distinguir se é cedro ou espargos. A cavalo nunca me cheira.
Tudo se torna mais fácil quando nos dão a solução. “Cheira lá e diz-me se não é melão.” “Ah, pois é. Claro que é melão. Quem escreveu Feno no meu post-it?”
E assim passamos alguns minutos na galhofa como se isto dos vinhos fosse uma brincadeira. No final do exercício, sinto que nem tudo está perdido para este nariz que passa o tempo enfiado na mostarda de uma entreada ou coirato…
Límpido e intenso. Com um aroma realizado e e pronunciado. Couro. Alguma adstringência e um final prolongado. É um blogue com uma presença ampla, estrutura consistente, um carácter franco e um estilo original. 92