Bill Bryson

Bill Bryson por aqui e por ali O livro é “por aqui e por ali“, assim, a bold (ou negrito, como preferirem), como está na capa, mas poderia ser outro qualquer. Para escrever verdade, talvez seja abusivo dizer que poderia ser qualquer outro, ou outro qualquer, sendo este o terceiro livro dele que tenho nas mãos, mas, ainda assim, arrisco: poderia ser outro qualquer. Sorte tenho de não me cruzar mais vezes com os seus livros nas montras das livrarias por onde passo (sim, normalmente não entro).

Os livros de Bill Bryson, todos os dois que li e o terceiro que comprei hoje e estou quase a terminar, são fartar da rir (assim mesmo). E há quem diga que eu nem li os melhores. Interessa pouco, se forem os piores são muito bons e, depois do Philip Roth, são a leitura ideal.

Ah, e segundo parece, ouvi dizer, são histórias verídicas…

Encontrei Katz no restaurante, ele também parecia laudavelmente confiante. Isto, porque tinha feito uma amiga – uma empregada de mesa chamada Rayette, que estava a servi-lo de um modo claramente galanteador. (…)
- Oh, eu gosto de um homem que aprecie panquecas – Rayette murmurou.
(…)
Ela afastou-se para atender um cliente distante enquanto Katz a observou com um certo orgulho paternal.
- Ela é bastante feia, não é? – perguntou com um largo e incongruente sorriso.
Procurei ser diplomático.
- Bem, só quando comparada com outras mulheres.


TODO-O-MUNDO – Philip Roth

Todo o Mundo Philip Roth- A morbidez é a tua ausência.
Se não o disse, talvez tenha pensado. A morte de todos os dias, de todos os dias em que alguém morre, passa a ser a vida. Chega o momento de enfrentar os fantasmas do passado, do passado em que essa morte, também nossa, nem sequer se atrevia a ser miragem. Tristes encruzilhadas em que seguimos o caminho mais fácil. Mas agora o peso da mentira é maior que a dor da verdade e a verdade, também ela, já morreu.

Está ali um rapaz de dezassete anos. Morreu num desastre de automóvel. Os amigos vêm cá pôr-lhe latas de cerveja em cima da campa. Ou uma cana de pesca. Gostava de pescar. (Todo-o-Mundo. Philip Roth)


estupidez

De tudo o que não li há muito que me faz sentir estúpido. Grande parte do que leio também me faz sentir estúpido, mas, ainda assim, sinto-me mais estúpido com o que não leio. Urgência em comprar o último de Philip Roth, que desconhecia já estar na rua, e dois ou três livros de Kapuscinski. A bem da estupidez.


A mancha humana

Em Setembro, deixei esquecido o livro de Philip Roth, em Maputo. Em boa hora o recuperei. Qualquer hora seria boa.

Sob os auspícios de Afrodite, disfarçado de Pigmalião e nas imediações de Tanglewood, estaria agora o professor reformado de literatura clássica a dar vida à transgressiva e recalcitrante Faunia na pele de uma Galateia requitadamente civilizada?

Sendo que dar carácter público a uma coisa tende apenas a corroer a sua intensidade, é isso que, de facto, querem?

Lembrei-me de uma coisa que ele me contara ter-lhe Faunia dito no resplendor crepuscular de uma das suas noites, quando tanto parecia esar a passar-se entre eles. Ele dissera-lhe: «Isto é mais do que sexo», e ela respondera, redondamente: «Não, não é. Tu é que te esqueceste do que o sexo é. Isto é sexo. Sexo puro. Não lixes tudo fingindo que é outra coisa.»

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