Alfama

- Não há música?
- Só na próxima sexta. Tivemos umas filmagens que atrasou isto
- Então…
- Aqui perto é no campo das cebolas. Mas aquilo é um bocado pesado. Pessoal de chelas. Um bocado “xunga”. Todas as noites acaba à porrada.

por outra razão ficámos em Alfama, jantámos as melhores sardinhas da época (Clube Desportivo Adicense) e descobrimos, depois de muitos degraus, um palco com música ao vivo e onde, informaram-nos, a Marcha iria chegar. A saber, Alfama ganhou os últimos dois anos das marchas. Ali ficámos. Nós e os locals, porque, segundo dizem, xungas são sempre os outros.

Chegou a marcha e vimos a tia Cinha a dar o seu pezino de dança. Também nós demos um. Às duas da manhã a festa acaba antes de tempo, porque o bairro desentendeu-se. Não consta que tivesse sido por algum piropo à tia. A confusão alastrou-se e nós descemos até ao campo das cebolas, ainda a tempo de “dar de beber à dor” e de ouvir o pessoal de chelas a cantar o fado. Tudo como deve ser.

Alfama - Ambiente Geral Alfama - Cinha Jardim Alfama - Eu

polícias e ladrões

Maputo

- e em termos de segurança. isto está melhor ou pior
- acho que esta melhor.
(pausa) mas as vezes aparecem uns policias oportunistas…

A polícia, por vezes, é pior que os ladrões. Pessoalmente, não tenho mais razão de queixa de uns do que de outros. Por ladrões já fui assaltado e por polícias já fui intimidado. Ambos estavam armados. Contudo, nenhuma dessas experiências prejudicou a imagem que tenho de Maputo e de Moçambique. Quem nunca brincou aos polícias e ladrões? É muito bom estar de volta.


queda conturbada?

Ainda acerca do curso de paraquedismo que, ao contrário do planeado, já não vou fazer até final de Março. Em Abril, espero.

Amigo: fiz o mesmo curso
Amigo: mas foi atraves duma escola de paraquedismo
Eu: qual?
Amigo: uma q nao recomendo… “queda livre” www.quedalivre.pt
Eu: não recomendas pq?
Amigo: pessoalmente n tenho grandes razoes de queixa… comigo correu td bem…
Amigo: mas houve pessoal do grupo q ficou mt lixado e com razao
Eu: o paraquedas nao abriu?
Amigo: um partiu o pulso… uma queda conturbada, pois o paraquedas n abriu bem
Amigo: mas calma, n te assustes


por aí…

Às vezes penso que devia ser pago pelo governo para não fazer nada, tamanho é o meu talento para esta função. Infelizmente isto não acontece. Trabalho como um burro de carga. E vou até esquecendo do prazer de não fazer coisa nenhuma que perseguia com afinco tempos atrás. Hoje, quando fico à toa, sinto culpa. Pior sintoma pessoal da doença coletiva chamada capitalismo. Proponho então a fundação da ADFN (Associação dos Amigos do Dolce Far Niente).

um Dolce Far Niente do Brasil, no Não Concordo Comigo


À Manhã

Abalei sem companha para o Chiado um bocado desensofrido por causa da cirurgia – nada de grave nem nada que me tivesse deixado esbornecado. Com a invernia que estava, e ainda está, fiquei um bocado repeso de andar por ali de trás para a frente por causa da maleita. Acabei por ficar solado num café da zona a estafonar alguns euros que me ajudassem no esquenturamento do corpo e me permitissem, infundido, ler o livro comprado na FNAC. Perto da 20h30, já com mais síria, fui para a porta do São Luiz arrelampado com a quantidade de pessoal que por lá estava. Tinha terminado o EACE e estava o Mexia de saída com a parança do costume. Aos poucos foi chegando a minha companha e ali ficámos um bocado no parodim espanhol até estarmos todos. Entrámos e lá ficámos quedos durante toda a peça. No final mais um pouco de treco treco, meio gato malhado e separámo-nos sem direito a bocanço. Nada que me deixe banzado. Estou-me rintando.

(No são Luiz está em cena a peça de José Luis Peixoto na qual, dizem, se pretende reflectir sobre a esperança e a vontade diária de construir o amanhã. O melhor é ir ver. Até 5 de Fevereiro)


estimado cliente

No Cais do Sodré há uma tasca, que já não é tão tasca quanto isso, que avisa os seus estimados clientes que “não se vendem bebidas alcoólicas de manhã”. A culpa deve ser do pessoal que sai para a rua depois do Jamaica fechar as portas. Digo eu…


rigor

A notícia ecoa por todo o mundo. Lance Armstrong, vencedor por sete vezes da volta à França em bicicleta, correu dopado em 1999, na sua primeira vitória no Tour..

Na TSF diz-se que Lance declarou através da sua página pessoal que nunca consumiu substâncias proibidas. A mim decepcionou-me pois teria preferido que Lance tivesse dito que nunca tinha consumido substâncias dopantes, fossem proibidas ou não. Agora, com acesso às suas próprias palavras, através de outro meio de comunicação, leio que ele disse isso mesmo.

Custa-me a falta de rigor com que somos informados. Independentemente do que ele possa, ou não, ter tomado.

I will simply restate what I have said many times: I have never taken performance-enhancing drugs.


Zé (3/6)

Já saiu da praia às 18h30. Estava com fome e passou pelo café da praia para lanchar uma tosta.
Sempre boa, pensou ele enquanto saboreava a primeira dentada.
A primeira vez que lá tinha ido fora com a Luísa, quando andava no 9º ano. Na altura estavam de férias e tinham ido para a praia com o pessoal da turma. A Luísa, que morava na mesma rua, mas num outro prédio, andava sempre atrelada a ele. Ele gostava. Naquele dia saíram da praia às 19h00 e perderam o autocarro por dois minutos. Tinham de esperar mais meia hora pelo próximo e resolveram ir ao café. Aquele foi o primeiro que apareceu. Era um café igual aos outros, mas com tostas gigantes e muito saborosas. Com a fome que estavam foi do tamanho que mais gostaram. Tornou-se ponto de paragem quase obrigatório em dias de praia. Passou a ser o bar da praia.