o mundo perfeito

Macaneta Maputo Mozambique Moçambique
- Conheces Bob Dylan?
- Sim, já ouvi falar.
- E sabes tocar alguma coisa dele
- Isso não…

Num mundo perfeito, obviamente, a conversa teria sido outra. Não foi por isso que foi menos divertido. Nas suas palavras, o Jaguar anda a plantar sementes com notas musicais na ma-schamba. Um dia há-de colher os frutos. Hoje, enquanto esperávamos pelo arranjo do batelão que nos levaria à Macaneta, tocou-nos uma música espanhola, várias moçambicanas, uma “portuguesa”, do Roberto Carlos, e um blues, a pedido: rock reggae blues. Há-de dar filme.


José Craveirinha

Na geometria das tuas nádegas
minhas unhas aprendem o ritmo
da arquitectura natural da curva.
Deslizo nelas meu júbilo.
Quem inventou a magia desse lado?
E a quem cabe extinguir as nádegas
se nelas há a geometria do mundo
o homem busca os tons da parábola
e a mulher não ignora esse destino?

De nádegas o que o homem aprende
é estar nelas onde elas sabem
jungi-lo no que são:
amuleto nos olhos
liturgia das mãos
ou estar-lhes em cima.

O poeta maior de Moçambique, José Craveirinha, nasceu em Lourenço Marques, morreu em Maputo, faz hoje 4 anos.


Fim de semana desfocado


1. Neste regresso a Moçambique decidi não trazer máquina fotográfica. Por isso, serão poucas as fotos e as que aqui colocar terão outro dono que não eu. Esta é do Miguel.
2. O fim de semana no kayakweru


Pequena Viagem

Estão há cerca de dois meses em viagem. Falta pouco mais de um mês. Há cerca de um ano e meio estivemos, eu e o FM na Ilha de Moçambique sempre acompanhados pelo Harry Potter. Nos últimos dias os nossos irmãos também lá estiveram, falei com o Harry, ainda é o campeão do Kuduro, faz tudo acontecer e tudo acontece.
Neste momento, em Pemba, já com outra máquina fotográfica, as aventuras continuam. Não indo este fim de semana a Pemba e face à impossibilidade, já confirmada, de me encontrar com eles em Zanzibar, considero Nairobi como alternativa mais provável embora, ainda assim, muito pouco provável. Se não der, apanho-os no regresso e vou à Beira, Pemba ou Zanzibar noutra altura, até 11 de Março.

Para já, no blogue, as aventuras até ao Malawi…
(…) além disso seria uma boa experiência ir ao tribunal aqui no Malawi.


notas soltas

A mais recente versão do wordpress dá-se pelo nome de Ella. Um dia destes, vou precisar de tempo, renovo o estaminé. Ella é a desculpa que precisava.

Aqui em Moçambique temos o oito, o oitenta, e tudo o resto. É igual em Portugal. Aqui vive-se mais no oito, alguns no oitenta, e poucos no resto.

Hoje fui multado pelo agente de autoridade mais obtuso que já devo ter encontrado em Moçambique. Custou 500 contos (15 euros) a rigidez com que ele actuou no meu caso. No final agradeci-lhe, baixinho, por me ter permitido continuar a acreditar que é possível fazer diferente.

Hoje de manhã um dos arrumadores da rua avisou-nos que tínhamos deixado o carro aberto. Terá sido o culminar de uma noite de equívocos.

Na noite passada tivemos um double blind date. Eu e o Luis, elas e os namorados.


voar baixinho .2



Scan10106, originally uploaded by TOMASZ DREBOT.

Também aqui se tem uma ex-namorada que é blá blá blá não sei das quantas na Nestlé… mas o que eu queria mesmo dizer é que tenho uma ex-namorada, que não trabalha na Nestlé, que me disse hoje que faço mais sentido, para ela, quando tenho namorada. Este foi o corolário depois de termos decidido que não fazia sentido continuarmos namorados. O raciocínio parece não fazer sentido, mas faz. O sentido é outro.

Entretanto faço as malas. Falta uma semana para voltar a Moçambique.