Segundo, mude de profissão. Adeus Pachecolândia, vá escrever livros para a Sibéria e deixe-nos em paz pois às 4ªs feiras é dia de Liga dos Campeões.
Melhor é ler tudo…
Segundo, mude de profissão. Adeus Pachecolândia, vá escrever livros para a Sibéria e deixe-nos em paz pois às 4ªs feiras é dia de Liga dos Campeões.
Melhor é ler tudo…

Uma pesquisa rápida é suficiente para perceber que Kim terá turtuosos desafios pela frente. A estónia não é um país fácil.
Não serão estas as coordenadas exactas, mas são, mesmo assim, um ponto de partida. Diria… um bom ponto de partida.
São várias as razões que me levam a pensar que nunca serei escritor. A primeira razão, mas talvez a menos importante nestas coisas de lançar um livro para o mercado, é a minha escrita se situar na fronteira entre o medíocre e o sofrivel. A segunda razão, e esta sim, fundamental, prende-se com o facto de eu começar os livros pelo fim e acabá-los sem chegar ao início. É como se não chegassem a ver a luz do dia. E não chegam. Mote, enredo e um título é quanto baste para o meu projecto de livro ter início, meio e fim.
O meu primeiro livro surgiu depois de ter assistido ao suícidio de alguém. Mote dado. A diferença entre “assistir ao suicídio” e “assistir o suicídio” pode parecer de gigante, mas, no momento, esbate-se à velocidade a que a vida se esvai. Assistimos. Mais nada. Neste romance, a personagem principal, Tiago, 100% fictícia, fica obcecado pela vida de quem se matou. Depois desse encontro furtuito no tabuleiro da ponte 25 de Abril a aventura segue para o funeral do sujeito, do indivíduo, do suicida. A partir daí desenrola-se a trama e o drama dos outros. Porque, na vida, o drama é sempre dos outros. Porque, na realidade, o drama é sempre nosso. O título: à procura de nada.
George Steiner,
Gostaria de ser recordado – por pouco que perdure nas memórias – como um mestre de leitura, como alguém que passou a vida a ler com os outros.
Depois de ler a Ideia de Europa comprei, este sábado, as quatro entrevistas que deu a Ramin Jahanbegloo. É difícil resistir-lhe.
Rodrigo Guedes de Carvalho diz que não percebe a existência de cursos de escrita criativa. Como se pode ensinar alguém a escrever?, perguntava. Eu desisti de aprender. Mentira. Só nunca participei em nenhum curso. Seja possível, ou não, aprender a escrever, o mais importante é saber ler, seja o mundo, seja a vida.
Talvez, um pouco, como as relações…
Dois dos livros que recebi ,nos últimos dias, foram de guerra.
A Ilíada, de Homero, e as Cartas, de António Lobo Antunes à sua jóia querida.

São estes os resultados finais. O grande vencedor foi o livro de Somerset Maugham que reuniu quatro votos. É uma pena que ninguém tenha escolhido o Henry Miller e surpreendente que um dos leitores deste blogue tenha escolhido Diogo Freitas do Amaral, com os livros de ciência política, em vez da Margarida. Acontece.
Na últimas duas semanas tenho vindo a acumular na minha mesa de cabeceira alguns livros de poesia que vou resgatando das prateleiras do escritório.
Atingi o fim da linha e ontem tive de levar comigo os sonetos da Florbela Espanca. Necessária renovação urgente na secção de poesia.
Sei lá! Sei lá! Eu sei lá bem
Quem sou? Um fogo-fátuo, uma miragem…
Sou um reflexo… um canto de paisagem
Ou apenas cenário! Um vaivém
Florbela Espanca
Minha culpa
No início da semana tive de esperar uma hora até que alguém chegasse com a chave do escritório. Nunca é grave.
Gosto da minha própria companhia. Peguei em dois livros que tinha no banco de trás do carro e estacionei num café que abriu com nova gerência. Nova e jeitosa, por sinal.
Já depois de pagar, enquanto virava as costas, a nova gerência chama-me e:
- Desculpe, posso fazer-lhe uma pergunta indiscreta?
As minhas pernas não deveriam ter tremido tanto em pleno terramoto de 1755. Mantive-me tão firme quanto consegui, disse-lhe que sim, respondi e, desde então, tenho lá ido tomar café pela manhã. Gosto de ler os jornais com calma e a nova gerência tem sempre o DN e A Bola. Só por isso.
Hoje cheguei, olhei a capa d’A Bola, li a capa do DN e sentei-me com o suplemento relativo ao terramoto de 1755. Nova gerência:
- Tenho aqui a National Geaographic deste mês que tem uma reportagem sobre o terramoto. Quer ver?
Se fosse sismólogo, o que aconteceu a seguir poderia ser descrito como uma réplica.
Gosto da Joana, gosto do Carlos, gosto do Rodrigo e gosto do Fernando.
Do Fernando gosto para lá das memórias do tempo.
Eu te rogo me defendas de cair na fornicação e me livre tua mansidão do ódio e da malquerença, desça sobre mim teu Santo Espírito e alumie a minha escrita.
Do Rodrigo gosto para lá da primeira palavra.
Eu viria talvez povoado
hipotéticos fantasmas quem sabe
Gosto da Joana, acho que já tinha dito. Ela gosta do Rodrigo. E gosto do Carlos. Um dia… e se… entrevisto-o. O Carlos gosta do Rodrigo.
Leio-os, oiço-os, e assumo que são o que escrevem, que são o que dizem. Não tenho outra forma de ler nem de ouvir. Por isso, corro tanto o risco de gostar deles como corro de não gostar. Mas gosto de correr e arrisco-me a não gostar.
Hoje, enquanto esperava, não consegui ficar quieto naquela casa que não é minha e agarrei todos livros que forravam as paredes. Com todos eles me revolvi. Acho que também já disse que gosto do Fernando.
Trouxe-os comigo. O Rodrigo e o Fernando. São outras leituras.

(acerca do livro do Rodrigo oiçam também estes sinais.)