raro era o dia em que o Fred não me dizia, a propósito de um qualquer acontecimento mais estranho, que esta merda dava um post.
E dava, na maior parte das vezes, mas não deu e, provavelmente, nunca irá dar. Alguns ficaram e hão-de aparecer enquanto que os outros ficam perdidos, ou guardados, no submundo das memórias. São posts perdidos no tempo.
Nem todo o momento é eterno. Nem toda a eternidade se mede no presente.
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Rosa do Mundo .8
Se estou
sozinha na neve
é óbvio
que sou um relógio
de outro modo como poderia
a eternidade deslizar
Inger Christensen
Dinamarca
Trad.: José Alberto Oliveira
nunca mais acaba?
eternidade é começar a noite com O Cravo Bem Temperado e terminar, indeciso, entre house e techno
certezas
sempre souberam que a sua eternidade não chegaria ao fim
visto a esta luz
Visto a esta luz és um porto de mar
como reverberos de ondas onde havia mãos
rebocadores na brancura dos braços
Constroem-te um ponte
que deverá cingir-te os rins para sempre
O que há horrível no teu corpo diurno
é a sua avareza de palavras
és tu inutilmente iluminado e quente
como um resto saído de outras eras
que te fizeram carne e se foram embora
porque verdade sem erro certo verdadeiro
nada era noite bastante para tocarmos melhor
as nossas mãos de nautas navegando o espaço
os corpos um e dois do navio de espelhos
filhos e filhas do imponderável
de cabeça para baixo a ver a terra girar
Quero-te sempre como nã querer-te?
mas esta luz de sinopla nas calças!
este interposto objecto
e o seu leve peso de eternidade
Mário Cesariny
(Prémio Vida Literária Associação Portuguesa de Escritores/Caixa Geral de Depósitos)
diz-se por aí…
A eternidade mede-se no presente.
SONETO XCV – Cien sonetos de amor

| Quiénes se amaron como nosotros? Busquemos las antiguas cenizas del corazón quemado y allí que caigan uno por uno nuestros besos hasta que resucite la flor deshabitada. Amemos el amor que consumió su fruto Al amor sepultado por tanto tiempo frío, de la frescura abierta por una nueva herida, |
Quem se amou como nós dois? Busquemos Amemos o amor que consumiu seu fruto Do amor sepultado por tanto tempo frio, da frescura entreaberta por uma nova feria, |
Pablo Neruda