presente
Não sei o dia de amanhã. Daqui a um mês?, um ano? Quem sabe…?
Não sei se o segredo da vida é viver o presente. Se é, não é fácil. A maior parte do tempo vivemos presos a um passado, que gostavamos de recuperar, ou à espera de um futuro, que esperamos mais risonho. O presente raramente existe por si só. Em Moçambique o Carlos disse-me que uma das lições que trouxe da Índia foi a preocupação em viver o presente. As mesmas palavras que ontem ouvi de uma sobrevivente dos atentados de 11 de Março em Espanha. Viver o presente. Sem drama. Sem medo. Não sei o dia de amanhã. Este presente, o presente dos outros, para quem vive para um futuro, pode ser de uma crueldade lancinante, mas não deixa de ser a única forma de estar. O presente não tem rede que nos proteja. O presente não tem o conforto das memórias do passado nem das expectativas futuras. É cru. É verdadeiro.
Em Moçambique temos mais tempo para tudo. Em Moçambique temos mais tempo para trabalhar, mais tempo para pensar, mais tempo para viver. Em Moçambique temos mais tempo para o presente, basta escolher qual. O segredo tem de ser vivê-lo. Como em Portugal. Como em Espanha. O tempo não é o mais importante.
Escreveu o Fernando que o dia de hoje é uma dádiva por isso é que lhe chamam o presente. Não vou tão longe. Eu escrevo que este presente é meu. Só isso.
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