por um salgado genuíno*
Digam o que disserem, o salgado é português. Croquete inventado na Holanda? Não tarda espalham o boato que a chamuça vem da índia quando toda a gente sabe, contaram-me que sim, que a sua origem é dali, algures, do Martim Moniz. Todo o salgado, mas em particular alguns em especial (que são vários, os salgados, assim no plural como no singular), são portugueses e o português que é português gosta deles. O típico português de camisa aberta e pelos no peito, eu, gosta do seu salgado.
Quem é que chega ao balcão e pede uma mini sem um pastel de bacalhau? Eu não! Faço mais e diferente: primeiro pergunto se tem pastel de bacalhau e só depois avanço para a mini a acompanhar. O salgado faz parte dos costumes e, tal como o Eusébio, o fado ou o tremoço, deveria ser um símbolo nacional. O problema? Portugal anda a tratar mal os seus salgados (agora plural) e isto merece um veemente protesto.
Quem é que, hoje em dia, chega a um café e pede um pastel de bacalhau na ilusão de encontrar bacalhau? Ninguém! O pastel de bacalhau, neste momento, é o melhor substituto do palito tantas são as espinhas que lá se encontram. O rissol de camarão, por exemplo, (e não é preciso ir mais longe) foi preciso chegar a Moçambique para perceber que há rissóis que, inclusivamente, têm camarão lá dentro. Parecendo que não, faz diferença. Eu fico nervoso só de pensar que a chamuça, hoje em dia, nem sequer é picante. Não vos enerva? Andam aí uns meninos que não gostam de picante, deve doer na boca, e quem sofre são os outros.
Portugal trata mal os seus salgados. Como se alguém acreditasse que o turismo de pastelaria consegue sobreviver com uns travesseiros da piriquita e uns pasteis de belém. Não! Não consegue!
O turismo de pastelaria sem salgados de qualidade não vai longe, não vai a lado nenhum. Turista que chega a uma pastelaria arrisca-se, na melhor das hipóteses, a pedir um folhado de salsicha manhoso. Depois alguém lhe diz: “ah, mas por cá, também há disto, mas em bom. Esta salsicha está um bocado ressequida, pois, mas…”, mas ninguém sabe onde, ninguém sabe quem é que anda a tratar bem os nossos salgados. Eu não sei!, e já ando cansado e gordo demais de tanto procurar.
*(com a inestimável ajuda de dois grandes companheiros e apreciadores do salgado genuíno, este e este)
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