75 anos
Nasceu a 8 de Janeiro de 1935 e isto é o que ouviria se fosse vivo.
Parece que estreia hoje o filme “A Estrada”. Enquanto, há pouco mais de 1 ano, lia o livro já aguardava por este momento. Neste momento, como não podia deixar de ser, já não sei porquê. A verdade, sempre a verdade, é que isso não é importante. Hoje não faltam relações entre pais e filhos que procuram sobreviver ao fim do mundo. O mundo é outro. Os pais e filhos também. E no entanto, tudo o mais permanece. O fim.

A vida passa por várias fases que à distância se vão tornando cada vez mais claras. Em termos de resoluções, been there, done that. Uvas secas numa mão, já as comi de todas as formas possíveis. Já lá estive com uma a cada badalada, também, as doze, de uma só vez, mão e boca cheia. Já comi menos de doze e mais ainda, na vã esperança de aumentar a probabilidade de concretização de desejos. Já passei por tudo. No fundo, as passas são o Pai Natal dos graúdos. Este ano, finalmente, não houve passas, não há resoluções. Parece mentira, mas a vida continua.
Faz hoje cinco anos que criei o blogue. Pouca coisa mudou, deste então. Continuamos sem público e, estou certo que neste momento, sem expectativas também. Não sei, no entanto, se o peso aumentou, se diminuiu ou se simplesmente deixei de me preocupar. Não. Ou se simplesmente aprendi a carregá-lo. O peso do aniversário.
Sei que, apesar de tudo, estamos juntos.
Porque não tenho muito mais a dizer sobre o assunto, fico-me por aqui.
“Porque há eunucos que nasceram assim; e há eunucos que pelos homens foram feitos tais; e outros há que a si mesmos se fizeram eunucos por causa do reino dos céus. Quem pode aceitar isso, aceite-o.” (Mateus 19:12)*
Eunucos. Por muito que nos custe admitir há uma predisposição natural de certas pessoas para o euniquismo. Será assim? Pois que eu as conheço. O eunuco. Sem desejo. Sem nada e, no entanto, com tudo. Controlo. Aquele que se consegue controlar. Ou simplesmente não tem alternativa. Um controlo sem alternativa.
* (não fui buscar a bíblia. foi à wikipedia)
Começar do zero.
Por vezes só querem poder começar do zero. As pessoas. Sempre as pessoas. Nem todas as pessoas. Não é renascer, embora também o seja, mas não num sentido literal no que, por exemplo, às fraldas diz respeito. Começar do zero, que até pode ser começar com as mesmas relações, com as mesmas opções, mas sem passado. Que passado? Há sempre algo que se pode apagar, mas nem tudo se consegue esquecee. Porque é disso que se trata. Esquecer. Começar do zero é esquecer? Até quando? É difícil esquecer para sempre. Tão difícil quanto não esquecer. Esquecemos o que não queremos, mas também desejamos esquecer o que não queremos. São diferentes, mas ambos fora de controlo. Controlo? Falta controlo. Como controlar?
….
Where does it come from? This quest? This need to solve lifes mysteries when the simpliest of questions can never be answered. Why are we here? What is the soul? Why do we dream? Perhaps we would be better off not looking at all. Not delving. Not yearning. But that’s not human nature. Not the human heart. That is not why we are here. Yet still we struggle to make a difference. To change the world. To dream of hope. Never knowing for certain who we’ll meet along the way. Who, among the world of strangers, will hold our hand. Touch our hearts. And share the pain of trying.
Mohinder
Heroes, How To Stop An Exploding Man
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