que isto seja esquecido

on the road

Depois dos 30, dizem-me, já não se pode ler On the Road, de Jack Kerouak. Não percebo, mas talvez um dia, mais velho, tenha a oportunidade de compreender porque é que não deveria ter terminado de ler aquele livro. A vida tem dessas oportunidades. Ter de passar a ponte, por exemplo, para chegar a casa, dá-nos algumas. Ontem, a mim, deu-me a oportunidade de decidir não atravessá-la, não ir para casa, e ir ver um dos filmes que estivesse a começar no Monumental. Assim fiz e estou certo que a oportunidade estaria lá caso tivesse chegado dez minutos mais cedo. No entanto, decidido que estava a não ir para casa, na procura de alternativas, corri as várias livrarias da zona. Nem todos os livros nos estão proibidos, mas, tristeza, nenhuma tinha A Estrada e Património, lançado na segunda-feira, ainda não lhes tinha chegado. Acabei por comprar Jack Kerouak, outro, que aquele não posso, e, tendo decidido comprar outro, igual, dizem que este era o último, mas, lamento-me, já tem uma hora de leitura. Assim, forçado a pedir, uma hora depois, se me embrulhava, que era para oferta, terminei a noite a ver There Will Be Blood, já sem carros na ponte.