que isto seja esquecido

o velho e o mar

Duas canas, dois pescadores, cinco horas, cinco peixes. Ou quase. Peixe miúdo, o budião em Sesimbra. Ainda assim, depois do desastre que foi a última tentativa, lá conseguimos, mesmo que eu não tenha pescado nada. Fomos uma equipa. Ele pescava, eu tentava e ao fim de cinco horas ainda não tinha percebido o que é que, para além de mim, estava errado. O peixe detecta-me, só pode. Na rocha ali mesmo ao nosso lado, mais um a gozar comigo. Chegara com com tal descrição que, não fosse eu andar de cabeça à roda com a cadência com que o peixe me levava o isco, não o teria visto no cimo da rocha que se erguia atrás de nós. Atiro em tom de desafio um “Bom dia” com o i prolongado de quem quer conversa, mas ainda não percebeu bem como a começar e ele lá responde com qualquer coisa que não ouvi bem, mas que também nem era preciso. O que eu tinha para dizer valia por si. “Pois, isto não está fácil, hoje!”. Aquele homem talvez não me tenha percebido, porque cinco minutos volvidos e já pescava, com uma cana pouco maior que a minha, um polvo que parecia três. É uma situação que desmotiva. Eu nem sequer sabia que era possível.


3 Comments

aahahhah! Que bom voltar aqui e desatar a rir assim. (Eu nem sabia que era possível!)
bj!

Posted by daqui on 17 September 2008 @ 6pm

Tu crias aquilo que pescas!

Posted by Goncalo on 18 September 2008 @ 9am

Tu crias aquilo que pescas! :-)

Posted by Goncalo on 18 September 2008 @ 9am