que isto seja esquecido

O meu Natal

Comprei livros, todos quero ler, e ofereci a quem está mais próximo. Adiei a compra de dois, A Estrada, de Cormac McCarthy, e um outro do qual irei comprar a versão original, em francês. A seu tempo comprar-me-ei a tradução. Os livros que recebi, tal a vontade de os ler, também os poderia ter comprado para oferta. Entretanto, as próximas semanas, os próximos meses, que o tempo nem sempre tem a velocidade que lhe desejamos, serão na companhia de Jorge Luís Borges (Ficções e O Livro Dos Seres Imaginários), os que recebi, e de Ian McEwan (Na Praia de Chesil), Gonçalo M. Tavares (Aprender a Rezar na Era da Técnica), George Steiner (O Transporte Para San Cristobal De A.H.) e Cormac McCarthy (Este País Não É Para Velhos), os que ofereci.

Recebi o que queria, dei quase tudo o que podia. Poderia ter pensado melhor e dado diferente. Carrego sempre esta cruz. Por tudo isto, estranho que os presentes já não sejam o Natal. É estranho, para mim. Faltou-me tudo e, no entanto, tudo foi tão igual ao que sempre foi. Gostava de já ter participado no curso de escrita criativa, talvez conseguisse sentir um Natal melhor, talvez até lhe conseguisse manter a ilusão, mas não a dos presentes, que o meu Natal há muito deixou de lhes pertencer.