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Recent Tiago Pinhal

  • se te visse

    se te visse
    nua, como se
    te visse
    perdida sozinha
    enlaçada nos braços
    de uma estrada
    sem destino
    nunca houve destino
    chamaria por ti
    baixinho para não acordares
    do sonho que te leva
    nessa estrada
    sem fim
    há sempre um fim
    se soubesse teu nome
    guardaria-o eterno

  • Um dia

    se um dia te cruzares comigo na rua
    e não souberes quem sou
    não me perguntes as horas
    o tempo para nós parou
    não pares mas passa devagar
    hoje amanheceu galhos, zéfiros
    e dedos róseos na orla móvel
    e Amanhã o sol há-de brilhar
    Espirro cá para fora
    a raiva de estar assim.
    Simples? Sem ambiguidades?
    Não me tenho.
    Não estou em mim.
    [outro dia]/[outro dia]

  • um dia

    se um dia te cruzares comigo na rua
    e não souberes quem sou
    não me perguntes as horas
    o tempo para nós parou
    não há segundo que não passe sem ti
    vou olhar e esperar
    parar como o tempo parou
    com tempo para te ver passar
    [outro dia]

  • se um dia

    se um dia
    começo assim porque não sei
    nada
    nunca soube
    mas nem sempre comecei assim.
    começámos ao contrário
    e sempre soube
    que o fim
    esse fim o
    nosso seria
    para mim para ti
    fácil demais. tão dificil
    que teria de acabar
    como um sonho
    que todos acabam os sonhos
    o nosso.
    se um dia
    acabo assim também
    porque não sei
    nada nunca soube

    Katie Melua
    Just Like Heaven

  • um dia

    se te cruzares comigo na rua
    e não souberes quem sou
    não me perguntes as horas
    o tempo para nós parou
    (não faças ondas)

  • tudo em ti

    não há senão em ti
    o que os outros procuram
    o que precisas
    não precisas
    nada mais que não
    o que há em ti
    não há em ti
    senão o que precisas
    o que os outros querem
    e procuram

  • sentido da vista

    Traz-me silêncios
    que não me deixem dormir
    e cheiros que não me
    permitam distinguir
    onde começas ou acabas
    Não te quero ver o fim
    Dá-me a paz
    de uma guerra anunciada
    Armas que não me
    matem
    Dá-me tudo
    Dás-me o teu corpo
    nu
    Nada
    Dá-me um abraço
    Um cheiro que não me diga
    se sou eu
    se és tu

  • existes

    por entre dias mais felizes
    e noites mais sozinhas
    caminhas tu
    Caminhas por ti
    ou por quem tu existes
    Nunca vais sozinha.
    e és tu
    a mulher da minha vida
    da que hoje é eterna

  • procuras-te aqui

    procuras-te aqui nestes dias sem memórias que nem guardam as histórias que eu hoje vivi
    procuras-te aquionde nada se encontranem ninguém afrontaa imagem que tem de si
    procuras-te aquiconsciente que é demaisencontrares-te nestes anaisantes de saberes de ti

  • nunca como agora

    nunca como agorafoi tão importantedeixar de parecere seruma presença constantepor esta vida fora
    em cada palavra que mudosobrevêm pequenos restosque faço desaparecerao perceberque é nos pequenos gestos!que se vê tudo

  • Maldição

    Em cada gota que passa por mimE se desfaz junto ao chãoSinto-nos mais perto do fimE um aperto no coração.
    E passo o dia num frenesimSempre a pensar que se nãoAs deixar cair assimMe livrarei desta maldição.

  • Almada

    Passo na ruas desertas de genteTropeço em cada memória que destapoE a nenhuma delas eu escapoPor mais que queira, por muito que tente.
    Com sangria do Boa EsperançaOu com uma bota do FaustinoSei bem que o meu destinoJá não passa por ser criança.Mas ainda tenho confiança,sem pensar sem ser cretino,Que todo este desatinoIrá resultar em bonança.
    Anseio [...]

  • Fui Pai

    Fui PaiNão por ti mas fuiPor mim pai
    Fui ontemEnquanto comia ou dormiaFui pai
    Fui emboraSem saber o que faziaE voltei
    Já não estouJá não sou.

  • Dor

    Não queiras saber por mimA história daquele diaEm que me encontraste assimFerido que quase morria
    São feridas que não têm curaEm corpo que já não senteChagas que aceito com a brandurade uma dor indiferente

  • não há mortes

    Quantos mortos tu deixaste abandonados ao temposem que deles te lembrasses ao chegar o firmamento
    quando corpos abandonaste
    quantas balas enviaste sem destino e sem razãoapontado a ninguém, nem ao seu coração
    quantas vezes tu fugiste
    quantas armas atiraste ao chãoquantas vidas atiraste ao arquantos passos deste em vãoaté a guerra acabar
    quantos sonhos destruístenuma terra sem razãoquantas vezes [...]

  • Poema

    Tragam silvos de dorque arrastem esta vidaamargurada pelo torporde uma razão escondida
    Criem laivos de corQue adornem a corridaque faz com o fulgorde uma guerra vencida

  • Regresso

    Caminho em estradas repetidasVezes sem conta, dias sem fimCaminho e em cada uma destas corridasProcuro-te, um pouco, dentro de mim.
    Paro, às vezes, e respiro fundo.Cansa-me fugir deste frenesim.Paro sempre no mesmo mundo,Aonde chego de onde vim.

  • Pardal

    Não te tento perceberQuando pousas no parapeito.Virás tu para me ver?Ou vais saltanto a eito?
    Nem sempre pousas sozinhoQuando vens ao parapeito.Perguntas-me, eu adivinho,se o amor é perfeito.

  • Estrelas

    Como são tristes as estrelasque nos separam no deserto.Como são tristes, mas belasQuando as vejo mais de perto.

  • Tempo para dormir

    Preciso de tempo para dormir!Compro-o a quem conseguiresperar pelo tempo que há-de vir.

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