Category Archives: Poesia

se te visse

se te visse
nua, como se
te visse
perdida sozinha
enlaçada nos braços
de uma estrada
sem destino
nunca houve destino
chamaria por ti
baixinho para não acordares
do sonho que te leva
nessa estrada
sem fim
há sempre um fim
se soubesse teu nome
guardaria-o eterno

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Rosa do Mundo .10

Dentro da minha cabana Zulu
É uma colmeia
sem abelha alguma
que levanta as paredes
com tijolos dourados de mel.
Uma caverna cheia
do ruído da mó,
cabaças de leite azedo
cântaros de barro de cerveja espumosa
colchões de erva para dormir,
almofadas de madeira,
peles de cabra curtidas
presas por tiras de couro
a caibros de verga
enegrecidos pelo fumo
de bosta de vaca amassada
que arde debaixo
da panela de [...]

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A vida segundo Jorge Palma .11

Sim, meu amor, está bem meu amor
Eu sei que tu tens razão
Dizia-te eu, às vezes, para acabar
Com a discussão…
E lá íamos vivendo,
Entre dois copos e um bom colchão,
Um futuro à nossa frente
E muito amor para mostrar a toda a gente.
Como era bem vivermos a [...]

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A vida segundo Jorge Palma .10

Um dia destes vou ser uma faca qualquer
vou dilacerar a voz da razão
Asfixiá-la, arrancá-la do seu pedestral
Vê-la estremecer dentro do meu eu
(Poema Flipão - 1975)

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Um dia

se um dia te cruzares comigo na rua
e não souberes quem sou
não me perguntes as horas
o tempo para nós parou
não pares mas passa devagar
hoje amanheceu galhos, zéfiros
e dedos róseos na orla móvel
e Amanhã o sol há-de brilhar
Espirro cá para fora
a raiva de estar assim.
Simples? Sem ambiguidades?
Não me tenho.
Não estou em mim.
[outro dia]/[outro dia]

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um dia

se um dia te cruzares comigo na rua
e não souberes quem sou
não me perguntes as horas
o tempo para nós parou
não há segundo que não passe sem ti
vou olhar e esperar
parar como o tempo parou
com tempo para te ver passar
[outro dia]

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A vida segundo Jorge Palma .9

Eu não me afundo mais
Na vida que eu não quis
E vou tentar outro país
Já chega de ilusões
Estou farto de tradições
Que nos impedem de pensar
(Já chega de ilusões - 1975)

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se um dia

se um dia
começo assim porque não sei
nada
nunca soube
mas nem sempre comecei assim.
começámos ao contrário
e sempre soube
que o fim
esse fim o
nosso seria
para mim para ti
fácil demais. tão dificil
que teria de acabar
como um sonho
que todos acabam os sonhos
o nosso.
se um dia
acabo assim também
porque não sei
nada nunca soube

Katie Melua
Just Like Heaven

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A vida segundo Jorge Palma .8

Anoiteceu
Acho que é tempo de pensar
Mas hoje estou tão fatigado
Outro cigarro
Outra imperial
agora já me sinto melhor
Ah, se eu pudesse arranjar o mundo
(…)
Porra, já está
Aguentei outro dia
(Monólogo de um cidadão frustrado - 1975)

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Solteirice

Espeta-te com o garfo.
Corta-te com a faca.
Deita-te no prato.
Espera.
Alexandre O’Neill

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O Que Há

O que há em mim é sobretudo cansaço
— Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida [...]

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A vida segundo Jorge Palma .7

Põe-me o braço no ombro
Eu preciso de alguém
Dou-me com toda a gente
E não me dou a ninguém
Frágil
Sinto-me frágil
(Bairro do Amor - 1989)

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A vida segundo Jorge Palma .6

És a construção do meu poema
És a vastidão da minha voz
És a ilusão, és minha pena
(Dimensão - 1973)

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A vida segundo Jorge Palma .5

Enfrenta a verdade, sorri na derrota
(…)
Destrói as muralhas que encerram as esperança
(…)
Improvisa a despedida
Que a partida não demora
Como um homem só na vida
Frente ao tempo que o devora
(Poeta - 1973)

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A vida segundo Jorge Palma .4

Aqui, neste cristal
Há um mundo de certezas
E as dúvidas ficam a ver-nos passar
(Deixem voar este sonho - 1975)

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A vida segundo Jorge Palma .3

Agarras-te à hora em que o tempo não passou
Mergulhas nas cores que a loucura te emprestou
E quando te vês para lá do espelho
Encontras a solidão
(com uma viagem na palma da mão - 1975)

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