não há mortes

    Quantos mortos tu deixaste abandonados ao tempo
    sem que deles te lembrasses ao chegar o firmamento

    quando corpos abandonaste

    quantas balas enviaste sem destino e sem razão
    apontado a ninguém, nem ao seu coração

    quantas vezes tu fugiste

    quantas armas atiraste ao chão
    quantas vidas atiraste ao ar
    quantos passos deste em vão
    até a guerra acabar

    quantos sonhos destruíste
    numa terra sem razão
    quantas vezes tu fugiste
    dessa mesma prisão

    quantos dias vais viver
    sem te conseguires livrar
    desse tempo monstruoso em que te deixaste apanhar